Pesquisador deixa a Anthropic e diz que empresas de IA estão apostando com a vida das pessoas
Jacob Coxon, 27, saiu após três anos na companhia e afirma que quem constrói esses sistemas acredita que eles podem matar a humanidade até o fim da década.

Imagem: Radar Startups
Jacob Coxon, 27 anos, pediu demissão da Anthropic em 8 de setembro depois de três anos como pesquisador na empresa, e usou a saída para fazer um alerta público sobre o setor em que trabalhou. Segundo ele, as companhias que desenvolvem inteligência artificial “estão jogando com as nossas vidas”.
Coxon, que antes da Anthropic passou pela OpenAI, publicou na rede social X um relato explicando os motivos da decisão. A frase que resume sua posição é direta: “as pessoas que constroem sistemas de IA acreditam sinceramente que estes podem matar-nos a todos até ao fim da década”.
O que ele afirma estar próximo
O argumento do pesquisador é que os sistemas atuais se aproximam de um limiar a partir do qual passariam a ser capazes de invadir praticamente qualquer coisa, transformar áreas inteiras do conhecimento em pouco tempo e acumular poder e recursos por conta própria. Não se trata, na leitura dele, de uma preocupação distante: é o horizonte de quem trabalha dentro dos laboratórios.
Estão jogando com as nossas vidas.
A saída de Coxon não é isolada. Em fevereiro, Mrinalk Sharma, então responsável pela área de salvaguardas da Anthropic, deixou a empresa fazendo advertências na mesma direção. O padrão — profissionais de segurança que pedem demissão e falam publicamente logo depois — vem se repetindo nas principais companhias do setor.
O calendário que as próprias empresas divulgam
O alerta ganha contorno quando comparado às previsões que os executivos dessas companhias fazem em público. Dario Amodei, cofundador da Anthropic, projeta a chegada de uma “IA poderosa” ainda no fim de 2026. Sam Altman, da OpenAI, fala em superinteligência em “alguns milhares de dias”, o que situa o marco por volta de 2032.
São prazos curtos para uma tecnologia cujos riscos os próprios desenvolvedores descrevem como existenciais. É essa distância entre o discurso interno e o ritmo comercial que Coxon aponta como o problema central.
A resposta regulatória começa a endurecer
Enquanto o debate corre dentro das empresas, legisladores avançam em restrições concretas. Nos Estados Unidos, o Ban Artificial Superintelligence Act, apresentado em 3 de setembro, prevê penas de até 20 anos de prisão para determinadas violações.
Na Europa, o AI Act já estabelece multas que chegam a 35 milhões de euros ou 7% do faturamento global da companhia, o que for maior — patamar superior ao da própria legislação de proteção de dados do bloco.
- Ban Artificial Superintelligence Act: apresentado em 3 de setembro, com penas de até 20 anos
- AI Act europeu: multas de até 35 milhões de euros ou 7% do faturamento global
- Anthropic projeta “IA poderosa” ainda em 2026
- OpenAI fala em superinteligência por volta de 2032
Por que isso importa para o mercado brasileiro
Para as empresas que constroem produto sobre modelos de terceiros — a maior parte do ecossistema brasileiro de IA —, o debate deixa de ser filosófico no momento em que vira regulação. Regras que limitam capacidade de modelo, exigem auditoria ou impõem responsabilidade sobre uso indevido mudam o que é possível colocar em produção, e a que custo.
O Brasil ainda discute seu próprio marco para o tema. Enquanto isso, quem opera com modelos americanos ou europeus fica sujeito às regras de origem, sem participar da definição delas.


