Estudo da AWS aponta que startups lideram a adoção de IA no Brasil — mas travam na próxima etapa
Pesquisa apresentada no AWS Summit São Paulo indica avanço na adoção e, ao mesmo tempo, obstáculos técnicos e falta de mão de obra especializada.

Imagem ilustrativa — banco de imagens de domínio público
O uso de inteligência artificial atingiu 68% das startups no Brasil em 2026, índice superior à média nacional de 50% registrada no país. Os indicadores constam no estudo Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil 2026, encomendado pela Amazon Web Services (AWS) à consultoria Strand Partners e divulgado no AWS Summit São Paulo. Apesar da dianteira no ritmo de adesão à tecnologia, apenas 41% dessas empresas nascentes de base tecnológica afirmam estar totalmente ou muito preparadas para incorporar a próxima geração de ferramentas, como sistemas agênticos projetados para atuar com autonomia.
O percentual atual de 68% consolida um avanço sobre o ciclo anterior apurado na pesquisa, quando a taxa de adoção entre startups era de 53%. Além da expansão no volume de negócios conectados aos algoritmos, o levantamento mediu a maturidade dessa aplicação: 26% das startups alcançaram o patamar mais complexo de integração, que engloba a combinação de múltiplos modelos e o uso de sistemas autônomos ou agênticos. A proporção é o dobro do índice apurado em pequenas e médias empresas, no qual o estágio avançado marca 13%, e quase o triplo dos 9% observados entre as grandes corporações.
Desconhecimento e barreiras técnicas travam a IA agêntica
Mesmo no grupo de startups que se encontram no estágio mais sofisticado de uso, a prontidão técnica ainda encontra limitações evidentes. O contingente de negócios desse recorte que se declara preparado para a próxima fase é quase o dobro da média nacional de 21%, mas o desafio de assimilação é generalizado no mercado corporativo brasileiro. No panorama mais amplo, somente 26% de todas as empresas do país relatam já ter ouvido falar sobre o conceito de inteligência artificial agêntica. Dentre as organizações que conhecem a terminologia, apenas 6% informam ter concluído uma implementação efetiva, enquanto 31% ainda operam em estágio de testes práticos ou pilotos.
A distância entre o interesse teórico e a execução prática decorre de entraves técnicos e operacionais. A carência de profissionais com competências digitais e habilidades em IA desponta como o obstáculo central, apontado por 46% das companhias pesquisadas. Na sequência, 36% das empresas listam barreiras técnicas diretas ou problemas associados à gestão e qualidade de dados. Outros 35% dos participantes afirmam sofrer com capacidade interna insuficiente na força de trabalho, ao passo que 29% das organizações apontam dificuldades no acesso a infraestruturas avançadas e ferramentas computacionais especializadas.
Oferta de produtos e equipes especializadas em alta
Apesar dos gargalos de capacitação e infraestrutura, as startups brasileiras aceleraram a aplicação comercial das ferramentas ao longo dos últimos doze meses. Cerca de 48% das startups colocaram no mercado um novo produto ou serviço orientado por inteligência artificial no último ano. O número marca um salto expressivo frente aos 31% registrados na edição anterior da pesquisa e supera o desempenho das empresas em geral que adotaram a tecnologia no país, cuja média de lançamentos de novas ofertas nesse recorte ficou em 36%.
O movimento de desenvolvimento de produtos foi sustentado pelo fortalecimento de estruturas técnicas internas dedicadas exclusivamente ao segmento. De acordo com os dados levantados pela Strand Partners para a AWS, 49% das startups brasileiras contam hoje com empregados alocados unicamente no desenvolvimento e na operação de iniciativas de inteligência artificial, superando a taxa de 37% computada no levantamento correspondente a 2025.
Os dados da pesquisa revelam que o Brasil está em um momento decisivo da economia digital, com as startups liderando a transição da experimentação isolada para a criação de valor real e escalável com a IA