Consumo de tokens de IA dispara e surpreende empresas com custos, alerta Microsoft
Apesar da queda no preço unitário, proliferação de agentes eleva gastos corporativos e exige gestão entre capital humano e digital, afirma Priscyla Laham.

Imagem: Radar Startups
O avanço acelerado na adoção de inteligência artificial generativa e a proliferação de agentes autônomos criaram uma pressão orçamentária inesperada dentro das corporações: a conta do processamento. Embora o valor unitário dos tokens tenha caído de forma expressiva, a multiplicação de projetos fez a demanda total explodir, gerando desembolsos muito superiores ao que os executivos previam inicialmente. O alerta é de Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil.
O custo de tokens caiu muito, mas o consumo subiu muito. As empresas estão um pouco surpresas com a quantidade de dinheiro que estão gastando com inteligência artificial.
Equilíbrio entre força de trabalho e capital digital
Na visão de Laham, os próximos dois anos serão definidos pela busca de equilíbrio entre o capital humano e o que define como "capital de tokens". Esse arranjo coloca, de um lado, os profissionais da organização e, de outro, agentes digitais especializados, projetados para atuar de maneira colaborativa na execução de processos operacionais e no atendimento ao cliente.
A mudança reflete a transição para uma segunda fase na esteira de implementação da tecnologia. O momento inicial foi marcado por iniciativas descentralizadas e sem alinhamento direto aos objetivos centrais dos negócios. Essa dispersão resultou em distorções financeiras, com empresas utilizando modelos computacionais de ponta para produzir materiais rotineiros, gerando tarefas banais, como apresentações, a um custo de até US$ 10 mil.
Diversificação de modelos para controle de margens
Para conter gastos desnecessários e otimizar as operações, a recomendação tem sido escalonar os recursos conforme o nível de exigência da tarefa. Na plataforma Microsoft Foundry, hospedada no Azure, estão reunidos mais de 11 mil modelos. A proposta é permitir que as empresas reservem os algoritmos mais avançados para demandas de alta complexidade e empreguem modelos menores e de menor custo no dia a dia.
A oferta de múltiplos provedores e alternativas visa também dissipar preocupações sobre uma dependência exclusiva da OpenAI. O foco da fornecedora de nuvem é atuar como uma camada de infraestrutura neutra, onde os clientes possam testar desempenhos, comparar custos e auditar despesas computacionais com maior precisão.
Impacto na infraestrutura e investimentos bilionários
A expansão na utilização de tokens pressiona não apenas os orçamentos dos clientes, mas também a estrutura de capital das próprias provedoras de tecnologia. No quarto trimestre fiscal encerrado em junho, a Microsoft aplicou US$ 41 bilhões em despesas de capital (capex). Desse total, aproximadamente dois terços foram alocados em itens de vida útil mais curta, prioritariamente unidades de processamento gráfico (GPUs) e processadores centrais (CPUs).
O ritmo agressivo de aportes em infraestrutura reduziu a margem bruta da divisão Microsoft Cloud para 65% no período. Em contrapartida, o volume de negócios segue em alta: o Azure bateu pela primeira vez a marca de US$ 100 bilhões em faturamento anual, enquanto as receitas conjuntas da plataforma com outros serviços de computação em nuvem registraram expansão de 43% no trimestre.
Para tentar garantir o retorno sobre os investimentos em IA, a Microsoft estabeleceu uma divisão voltada para as chamadas Frontier Companies — organizações administradas por humanos, mas cuja operação é amplamente automatizada por agentes digitais. O grupo recebeu um aporte global de US$ 2,5 bilhões para auxiliar clientes na reformulação de processos, capacitação de pessoal e engajamento da alta liderança corporativa na governança dos custos.


