C6 Bank compra a Alymente e entra no mercado de benefícios
Startup foi fundada por ex-executivos da Stone; nova unidade C6 Benefícios começa com mais de 100 mil beneficiários.

Imagem ilustrativa — banco de imagens de domínio público
O C6 Bank comprou 100% da startup de cartões multibenefícios Alymente para entrar em um mercado que movimenta mais de R$ 150 bilhões por ano no Brasil. A operação marca o nascimento da unidade C6 Benefícios, que já inicia a atuação com uma carteira superior a 1,2 mil clientes corporativos e mais de 100 mil beneficiários ativos. Os valores financeiros do negócio não foram divulgados pelas partes.
A conclusão formal da compra ainda depende do aval regulatório do Banco Central, etapa que o banco digital estima cumprir em um prazo de dois a três meses. Assim que a autorização for concedida, a marca Alymente deixará de existir no mercado. A equipe de 40 profissionais da startup será incorporada aos quadros do C6 Bank, e a nova frente de negócios será comandada por André Purri, cofundador da Alymente. Os cartões do serviço continuarão sendo emitidos sob a bandeira Mastercard.
Integração à prateleira para empresas
Criada em 2017 por ex-executivos da Stone, a Alymente desenvolveu uma plataforma flexível que reúne modalidades além dos tradicionais auxílios de refeição e alimentação. O portfólio contempla vale-transporte, telemedicina, suporte psicológico e parcerias com academias, além de ferramentas de gestão para recursos humanos voltadas a frotas, despesas operacionais, campanhas de premiação e rotinas de reembolso. Na lista de clientes da empresa estão grupos como Heineken, Nissan e Pernod Ricard.
A aquisição cumpre a meta de expansão inorgânica que já vinha sendo desenhada pelo cofundador e presidente-executivo do C6 Bank, Marcelo Kalim. O segmento corporativo demandava essa funcionalidade para completar o portfólio, segundo Ricardo Botelho, head de pessoa jurídica do banco.
Essa era uma das peças que faltava na nossa prateleira para empresas. E com a Alymente, que já tem um produto validado e grandes empresas no portfólio, nós já começamos com tração para escalar mais rápido essa operação.
Do lado da Alymente, a transação resolve a necessidade de suporte financeiro para expandir a estrutura de atendimento e a oferta de novos produtos demandados pelas empresas contratantes.
Mais de 70% da nossa base vinha demandando soluções financeiras que só um banco consegue, de fato, oferecer.
Disputa contra fatia de 80% dos grandes bancos
A entrada do C6 Bank coloca a instituição em rota de colisão com um setor de 22 milhões de usuários e dominado historicamente por quatro companhias. Ticket, Alelo, Pluxee e VR concentram conjuntamente mais de 80% das receitas do mercado brasileiro de benefícios corporativos. Além disso, as três primeiras contam com a participação direta de grandes bancos como Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander.
O plano do banco digital para ganhar espaço na categoria envolve a venda cruzada com sua base já consolidada. A ideia é embutir a contratação e a administração dos benefícios dentro do aplicativo que hoje já reúne conta jurídica, maquininhas de pagamento, cartões de crédito corporativos, financiamentos, investimentos e, em etapa posterior, o processamento de folha de pagamento.
O movimento ocorre após o C6 Bank fechar o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,25 bilhão, avanço de 20% frente ao mesmo período do ano anterior, e receita líquida de R$ 6,26 bilhões, salto anual de 48%. O banco encerrou junho com R$ 171 bilhões em ativos totais, R$ 99,8 bilhões em carteira de crédito e 42 milhões de clientes, registrando expansão de 30% na base de pessoas jurídicas em 12 meses.