Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Investimentos

Starian foca em verticalização e mira receita de R$ 750 milhões em 2026

Empresa catarinense desacelera aquisições para expandir base orgânica com cross-sell e elevar exigências para futuros M&As.

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Redação 16 de setembro de 2026, 12h353 min de leitura
Starian foca em verticalização e mira receita de R$ 750 milhões em 2026

Imagem: Divulgação/Starian

A Starian planeja encerrar 2026 com uma receita anualizada de R$ 750 milhões e uma carteira de cerca de 25 mil clientes, impulsionada por um avanço orgânico de 23% a 24% ao ano. Após captar R$ 640 milhões com a General Atlantic e fechar dois M&As em 2025, a companhia catarinense de software como serviço (SaaS) pausou a compra de empresas neste ano para focar na consolidação de suas soluções verticais e na venda cruzada para sua carteira atual.

A empresa nasceu em junho de 2025, quando a Softplan dividiu suas operações para criar uma unidade voltada ao mercado privado, com ciclo de venda ágil e receita recorrente. Hoje, o portfólio soma mais de 30 produtos divididos em quatro áreas: construção civil, inteligência jurídica, eficiência e produtividade, além de governança e compliance. Esta última vertical foi inaugurada com a compra da gaúcha Contato Seguro, especializada em plataformas de denúncias corporativas, no fim do ano anterior.

Construção civil está bastante maduro, inteligência jurídica amadurecendo bastante, e governança e compliance estamos acelerando apesar de ainda termos apenas um ativo. Mas a gente está olhando ativamente como que a gente pluga mais soluções de governança e compliance para que, de fato, seja um ecossistema, não apenas um monoproduto.

De acordo com o CSO da Starian, Alex Anton, a estratégia de cross-sell sustenta tanto a expansão anual quanto a margem EBITDA, que também opera na faixa de 23% a 24%. Um dos motores dessa movimentação é a adesão da plataforma de compliance por construtoras e incorporadoras que já contratavam outros módulos do grupo. No exercício anterior, a meta pública da companhia previa atingir R$ 550 milhões em faturamento e alcançar 20 mil clientes.

Critérios mais rígidos para novos M&As

A pausa nas aquisições em 2026 não encerra a prospecção de ativos, mas elevou a exigência de governança e retorno financeiro. A Starian busca alvos com receita recorrente anual (ARR) mínima de R$ 50 milhões, crescimento acima de 20% ao ano e margem EBITDA que preferencialmente supere os 25%. A aquisição da Contato Seguro, que projetava receita líquida superior a R$ 65 milhões e adicionou 3 mil clientes, serve de referência métrica para as próximas transações.

Estamos muito mais seletivos do que fomos no passado. De onde a gente está, já está numa posição muito boa em termos de crescimento e geração de margem. Só faz sentido trazer empresas que nos levem para cima.

O esforço de crescimento inorgânico da companhia divide-se em duas frentes: de 30% a 40% da energia é direcionada a ferramentas satélites para fortalecer os segmentos em que a empresa já atua, enquanto 60% a 70% busca a abertura de verticais inéditas. O foco de prospecção mira setores B2B com baixa digitalização e alta barreira de entrada operacional, como agronegócio, educação e o ramo automotivo, com ênfase em concessionárias, oficinas e seguradoras.

Especialização contra a comoditização da IA

A Starian avalia a ultraverticalização como sua principal barreira defensiva contra a automação acelerada por inteligência artificial. Segundo a companhia, criar sistemas que atendam etapas detalhadas e complexas de indústrias específicas reduz o risco de substituição de softwares por agentes generativos genéricos, que costumam resolver apenas integrações superficiais.

A gente acredita, inclusive com todos os riscos de substituição de software por IA, que quanto mais verticalizado menor esse risco, porque a verticalização implica em um conhecimento muito profundo da jornada do cliente.

A tese de focar em setores de difícil operação também altera a dinâmica comercial da desenvolvedora. No dia a dia de vendas, o principal concorrente da companhia deixa de ser outro provedor de tecnologia e passa a ser a equipe técnica interna do próprio cliente corporativo, com o desafio centrado em demonstrar capacidade de implantação mais rápida e com histórico de integração comprovado.

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