Bull capta R$ 20 milhões em rodada seed liderada por Maya e Caravela
Plataforma de credit as a service recebe novo aporte menos de um ano após a rodada anterior e quer integrar IA e cibersegurança ao produto.

Imagem ilustrativa — banco de imagens de domínio público
A plataforma de infraestrutura de crédito Bull levantou R$ 20 milhões em uma rodada seed co-liderada pelos fundos de investimento Maya Capital e Caravela Capital. A captação contou também com a participação da gestora Canary, que havia liderado o aporte anterior da fintech. O montante obtido será canalizado para aprimorar a tecnologia do sistema, com foco no emprego de ferramentas de inteligência artificial, no reforço dos protocolos de cibersegurança e no preparo da operação para a oferta de múltiplos produtos financeiros.
A alocação do capital abrange investimentos em infraestrutura de processamento de dados, evolução contínua dos modelos automatizados de decisão de risco e automação de rotinas para enxugar custos operacionais. O objetivo central é dar suporte à expansão da carteira de crédito e aumentar o volume de clientes corporativos, abrindo caminho para modalidades que ultrapassem o crédito consignado privado voltado a trabalhadores com carteira assinada, formato que inaugurou a operação.
A plataforma opera na nuvem com dados próprios e toda a governança sobre eles. Agora, queremos trazer a parte de inteligência de cybersecurity e implementar IA no core do produto
A meta dos fundadores é utilizar a infraestrutura proprietária já desenvolvida para viabilizar lançamentos rápidos e seguros de novos formatos de financiamento. Além do suporte computacional, a companhia programou investimentos em iniciativas de go-to-market e posicionamento de marca, o que inclui a ampliação dos times de marketing e vendas, além da presença em eventos do setor para capturar novos contratos.
Estratégia de caixa e histórico recente
O aporte atual ocorre menos de doze meses após o primeiro investimento institucional recebido pela startup. Em outubro de 2025, a Bull concluiu uma captação pré-seed de R$ 10 milhões liderada pela Canary, acompanhada pela gestora Endeavor por meio do fundo Scale Up Ventures. Mesmo com o novo fechamento financeiro, a diretoria informou que uma fração expressiva do capital captado no pré-seed continua preservada em caixa.
É um capital para continuar crescendo sem ter um gargalo. Não vamos pegar dinheiro só quando faltar dinheiro
A decisão de antecipar a rodada seed respondeu ao surgimento de oportunidades de mercado e à procura ativa de investidores. Segundo a liderança executiva, o primeiro ciclo serviu para validar o produto mínimo viável em modelo white label, estruturado com inteligência de análise e operação integrada. Atualmente, a base da companhia reúne mais de 20 clientes de médio e grande porte integrados ao sistema.
Tínhamos como meta colocar o MVP no ar, com infraestrutura white label e uma boa camada de inteligência e operação. O produto foi muito bem aceito pelo mercado
Modelo operacional e projeções de originação
Fundada em 2025 por Juliana Freitas e José Pires Neto, a Bull opera sob o conceito de credit as a service, permitindo que empresas de diferentes setores estruturem e distribuam crédito aos seus ecossistemas. A carteira de clientes é composta por varejistas, marketplaces, plataformas de tecnologia, operadoras de benefícios corporativos e empresas financeiras. Para esses parceiros, a fintech executa toda a cadeia de ponta a ponta: fornecimento de infraestrutura regulatória e técnica, atendimento ao tomador, processos de cobrança, conciliação e ligação operacional com Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).
Os fundadores acumulam experiência anterior no setor de serviços financeiros. Antes de iniciarem a Bull, Juliana Freitas e José Pires Neto lideraram a FortBrasil, empresa que chegou a reunir 2 milhões de clientes e intermediou R$ 20 bilhões em concessões de crédito antes de ser adquirida pelo grupo DM, em 2023.
No planejamento de curto prazo, a companhia pretende atingir R$ 1 bilhão em transações acumuladas até o fim de 2026, além de colocar em operação uma nova linha de crédito ancorada em ecossistemas de parceiros. A meta financeira também projeta superar R$ 100 milhões mensais em originação de crédito a partir do terceiro trimestre de 2026. A baixa taxa de inadimplência observada nos fundos que financiam as operações, em patamar inferior à média do mercado, tem respaldado o fluxo de captação de recursos para sustentar o crescimento.