Caio Paiola assume conselho da Domlexia para aplicar IA na triagem de neurodivergências
Ex-CTO da Studos direciona experiência em edtechs para identificação precoce de dificuldades de aprendizagem na infância após encerrar operação do Pinball Space.

Foto: Divulgação/Instituto Domlexia
O executivo e empreendedor Caio Paiola assumiu uma cadeira no conselho de administração da Domlexia, organização brasileira voltada ao suporte de crianças com dislexia e outras neurodivergências. Aos 34 anos, o profissional direciona sua atuação para estruturar ferramentas de inteligência artificial destinadas a auxiliar educadores no reconhecimento precoce de sinais de dificuldades de aprendizagem durante o início da vida escolar.
A proposta do projeto foca no processamento de dados pedagógicos rotineiros para acelerar o encaminhamento dos estudantes a profissionais especializados, sem substituir diagnósticos clínicos formais.
A escola já produz um volume enorme de informação, padrões de erro, evolução entre avaliações, tempo de resposta e quase nada disso recebe a devida atenção. Vi isso de perto na Studos, onde a plataforma acompanhava mais de 130 mil alunos: o sinal está lá, o que falta é alguém lendo. Nos primeiros anos escolares esse sinal é especialmente valioso, porque é quando uma intervenção pode mudar o resultado de uma vida inteira. A ideia é usar a inteligência artificial nesse momento para coletar e compilar tudo isso de forma simples, entregando ao professor o que ele precisa para agir. Isso pode ser um grande salto na vida de muitas crianças.
Triagem pedagógica e ética no uso de algoritmos
A atuação dentro da instituição estabelece limites técnicos entre o ambiente educacional e os procedimentos de saúde. Os modelos de IA têm como meta apoiar o corpo docente na identificação de comportamentos discretos em sala de aula, acionando redes de apoio compostas por psicopedagogos, neuropsicólogos e familiares.
Vale destacar que o sistema não faz o diagnóstico. Diagnóstico é um ato clínico, multidisciplinar, e vai continuar sendo. O que queremos é trazer a tecnologia para a triagem: ajudar o professor a identificar comportamentos que antes passavam despercebidos e sinalizar os casos que merecem um olhar especial. Essa celeridade faz diferença justamente nos primeiros anos do ensino, e é esse o impacto que queremos gerar. A IA é uma ferramenta para apoiar os profissionais, não para substituí-los. Ela traz clareza para o professor dar encaminhamento a casos que antes não eram percebidos, ativando ao longo do caminho os responsáveis e os especialistas, psicopedagogos e neuropsicólogos que conduzem a avaliação de fato.
Bagagem técnica em edtechs e novo ciclo de negócios
A chegada à organização social sucede o encerramento das atividades do Pinball Space, espaço de entretenimento fundado por Paiola em Florianópolis no ano de 2023. O empreendimento recebeu aporte inicial de aproximadamente R$ 1,5 milhão e foi finalizado em julho de 2026 por decisão estratégica de encerramento de ciclo, sem relação com problemas financeiros.
Antes do negócio físico, o executivo construiu trajetória em empresas de tecnologia e startups educacionais:
- Ingresso no setor em 2010 na Burti/Casa Vaticano, atuando no sistema de processos JamWorks, que reuniu cerca de 7 mil usuários.
- Passagem como diretor de tecnologia (CTO) da HomeRefill a partir de 2014, desenvolvendo algoritmos preditivos de consumo até 2017 para uma base de 170 mil usuários cadastrados.
- Entrada como sócio e CTO da Studos Software em 2017, edtech que alcançou 130 mil estudantes em 500 colégios com ferramentas de aprendizagem adaptativa e correção automatizada via visão computacional.
- Liderança da área ArcoTech e participação na estruturação do ArcoPay após a aquisição da Studos pela Arco Educação em 2020, gerindo sistemas para 1,2 milhão de alunos.
Segundo o executivo, o desafio atual no desenvolvimento de inteligência artificial deslocou-se da criação algorítmica básica para o acesso a dados proprietários, controle de custos de inferência e aplicação direta na resolução de problemas humanos.