Techfins trocam foco em volume por inteligência de dados e gestão de risco no Brasil
Setor migra da infraestrutura básica de contas e cartões para orquestração de crédito em ERPs e uso de inteligência artificial contra a inadimplência.

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O mercado brasileiro de techfins passou por uma transformação estrutural e deixou para trás a fase focada na oferta básica de contas digitais e emissão de cartões. O setor direcionou seus investimentos e estratégias para a integração direta de serviços financeiros em softwares de gestão empresarial (ERPs) e sistemas de ponto de venda, priorizando inteligência de dados, eficiência operacional e mitigação de riscos.
A evolução do segmento foi detalhada em análise de Ticiana Amorim, fundadora e CEO da Aarin, startup especializada em embedded finance. O levantamento divide a consolidação do setor no Brasil em cinco marcos temporais, que vão desde as primeiras fusões focadas em crédito corporativo até a aplicação de inteligência artificial para conter fraudes e prever inadimplência.
A criação de contas digitais corporativas e a emissão de cartões via Banking-as-a-Service (BaaS) viraram recursos triviais. Hoje, o vetor de valor e o foco dos novos investimentos migraram da mera prateleira de produtos financeiros para a inteligência na orquestração e análise de dados.
Da integração com ERPs à escala institucional
O marco inicial da convergência entre software e serviços financeiros ocorreu em 2020. Até então, os ERPs operavam restritos à organização operacional interna, como fluxo de caixa, estoque e notas fiscais. O cenário mudou com a aquisição de controle da Supplier pela Totvs, permitindo que ofertas de crédito passassem a ser feitas diretamente na tela do sistema durante as compras corporativas.
Em 2021, o movimento alcançou o varejo com a fusão entre a Stone e a Linx. A operação unificou os terminais de pagamento ao software de automação comercial e ponto de venda (PDV), integrando a cobrança à gestão de estoque e elevando as barreiras de saída dos lojistas.
O ano seguinte consolidou o embedded finance em escala institucional por meio da união entre empresas de software e instituições bancárias tradicionais, a exemplo da parceria entre Totvs e Itaú. O modelo aliou a base de clientes e os sistemas de distribuição tecnológica ao balanço de capital e à capacidade regulatória dos grandes bancos.
Onda de BaaS e foco em eficiência
Entre 2022 e 2023, o avanço das arquiteturas de Banking-as-a-Service (BaaS) e das ferramentas de orquestração via APIs reduziu a barreira de entrada técnica. O modelo permitiu que empresas de médio e grande porte lançassem produtos financeiros próprios, como contas digitais e emissão de Pix, sem a obrigação de construir estruturas bancárias do zero.
Com a infraestrutura operacional amplamente distribuída e comoditizada, o ciclo iniciado em 2024 reorientou as movimentações de fusões e aquisições. Em resposta ao avanço de golpes digitais, inadimplência e custos por transação, as operações corporativas deixaram de buscar apenas volume de clientes e passaram a mirar eficiência transacional.
O levantamento aponta que a competitividade das empresas do setor agora depende da compra e integração de soluções especializadas em inteligência de dados, incluindo algoritmos de biometria comportamental, ferramentas de inteligência artificial para cálculo de risco de crédito e roteadores voltados a encontrar a menor taxa de transação em tempo real.