Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Investimentos

Healthtechs da América Latina captam US$ 253,7 mi, com Brasil na liderança

País concentrou 64,8% das empresas investidas no continente, em movimento acompanhado pela expansão da telessaúde pública.

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Redação 8 de outubro de 2026, 08h052 min de leitura
Healthtechs da América Latina captam US$ 253,7 mi, com Brasil na liderança

Imagem ilustrativa

As startups dedicadas ao setor de saúde na América Latina levantaram US$ 253,7 milhões em aportes institucionais em 2024, volume 37,6% superior aos US$ 184,3 milhões registrados no ano anterior. O mercado brasileiro esteve no centro dessa movimentação e abrigou 64,8% das companhias que receberam investimentos na região, consolidando a recuperação dos aportes no setor.

O direcionamento de capital acompanha a maturidade de soluções focadas em plataformas de telemedicina, inteligência artificial, prontuários eletrônicos e interoperabilidade de sistemas. A demanda por eficiência operacional e a necessidade de descentralizar o atendimento médico pelo país têm aberto mercado para negócios que atuam na digitalização de rotinas clínicas e hospitalares.

Avanço da telessaúde na rede pública

A tração das ferramentas digitais ocorre em paralelo ao aumento no volume de atendimentos remotos no Sistema Único de Saúde. Em 2024, foram contabilizados 2.526.196 atendimentos de telessaúde pelo Ministério da Saúde, montante 32,96% superior à meta inicial, que era de 1,9 milhão. No ano seguinte, o volume chegou a 3.210.529 consultas, totalizando 5.736.725 procedimentos no biênio. O resultado consolidado superou em 36,59% a meta projetada de 4,2 milhões para o período.

No recorte regional de 2024, o Sudeste registrou a maior concentração de procedimentos no serviço público, com 830.039 atendimentos. O Sul ocupou a segunda posição, com 681.578 ocorrências, seguido pelo Nordeste, com 607.009.

A sustentação técnica desse ecossistema público apoia-se na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), estrutura criada para padronizar o compartilhamento de históricos clínicos. Em 2025, o ministério abriu chamamento para credenciar estabelecimentos privados na oferta complementar de telessaúde e selecionou 36 projetos regionais em conjunto com secretarias, hospitais e universidades. Para Juan Ramos, CEO da CallMed, essa articulação mútua é indispensável para enfrentar gargalos estruturais no território brasileiro.

Telemedicina, interoperabilidade e novos modelos de atendimento mostram como a cooperação entre setor público e iniciativa privada pode ampliar a eficiência e democratizar o acesso à saúde no Brasil.

Internacionalização e marco regulatório

Modelos operacionais focados na distribuição remota de profissionais também buscam mercados externos. A CallMed, por exemplo, iniciou atividades nos Estados Unidos para atender a comunidade de brasileiros residentes no país. O serviço estrutura consultas virtuais em português unindo médicos do Brasil e profissionais credenciados localmente. Ramos aponta que os formatos digitais atuam na redução de assimetrias regionais de especialistas e reforça os pilares operacionais do sistema público.

A sustentabilidade do SUS depende cada vez mais da combinação entre gestão eficiente, tecnologia aplicada e cooperação institucional.

A integração de ferramentas também ganhou novas bases regulatórias. Em agosto de 2026, o Conselho Nacional de Saúde aprovou por unanimidade a Política Nacional de Informação e Saúde Digital. A diretriz institucionaliza o uso de prontuários eletrônicos interligados, o crescimento contínuo da telessaúde e a ampliação da infraestrutura da RNDS em âmbito nacional.

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