Healthleap capta US$ 38 milhões com IA que identifica riscos clínicos em hospitais
Aporte reúne rodadas seed e Série A para expandir sistema que analisa prontuários e detecta quadros não diagnosticados de pacientes internados.

Foto: Divulgação/Healthleap
A Healthleap levantou US$ 38 milhões para acelerar o desenvolvimento de sua plataforma de inteligência artificial voltada ao ambiente hospitalar. O montante combina uma rodada seed de US$ 8 milhões, dividida entre a Sequoia Capital e a First Round Capital, e uma Série A de US$ 30 milhões, liderada pela Hummingbird Ventures. A healthtech não divulgou a avaliação de mercado obtida na operação.
Criada na África do Sul em 2022 pelos irmãos Jemima e Josiah Meyer, a empresa começou oferecendo um sistema de nutrição clínica. Com o tempo, reformulou a tese para criar um software capaz de monitorar prontuários eletrônicos e alertar equipes médicas sobre indivíduos internados com sinais de complicações que costumam passar despercebidas, a exemplo de desnutrição e delírio.
Leitura de dados clínicos não estruturados
A tecnologia da Healthleap conecta-se aos sistemas de prontuário eletrônico dos hospitais para examinar duas frentes de dados. Enquanto métricas laboratoriais, peso e sinais vitais constam em campos estruturados, a plataforma emprega modelos de linguagem para varrer anotações manuais dos médicos em busca de menções a perda de apetite, fraqueza muscular e dificuldade de deglutição.
O cofundador e presidente-executivo da startup, Josiah Meyer, detalhou a rotina operacional da ferramenta nos centros médicos:
A cada noite, analisamos o prontuário de cada paciente adulto internado: resultados de exames, sinais vitais, pesos, medicamentos, prescrições de dieta, diagnósticos, anotações médicas e muito mais. A cada manhã, gravamos uma pontuação de risco no fluxo de trabalho da equipe de assistência, com um painel acessível contendo informações sobre as tendências do paciente.
O sistema não emite diagnósticos finais, funcionando como um filtro de triagem para apoiar a revisão clínica presencial. Além de desnutrição e delírio, a Healthleap desenvolveu aplicações para identificar pneumonia por aspiração, lesões por pressão e probabilidade de reinternação por insuficiência cardíaca congestiva, etapas que passam por testes clínicos adicionais.
Tração comercial e modelo de contrato
No último ano, a base de clientes da startup saltou de três para mais de 50 hospitais, atendendo redes como Penn Medicine, Cedars-Sinai, Intermountain, Houston Methodist e Emory Healthcare. A receita avançou mais de dez vezes no período, embora a companhia não abra os números absolutos.
O formato comercial da empresa baseia-se em acordos de três anos cobrados conforme o número de leitos licenciados da instituição, combinados a metas de retorno financeiro. No Hospital da Universidade da Pensilvânia, por exemplo, o programa de desnutrição gerou impacto financeiro anualizado de US$ 23,8 milhões, divididos entre US$ 6,3 milhões em reembolsos adicionais e US$ 17,5 milhões gerados pela diminuição no tempo de permanência em internação.
O capital recém-captado terá como destino as equipes de engenharia, produto, vendas e suporte ao cliente. Os planos de médio prazo preveem cobrir mais de 40 quadros de saúde e levar o rastreamento automatizado para o cuidado domiciliar e ambulatorial.