Brics propõe fundo para startups e rede de incubadoras em cúpula na Índia
Iniciativa apresentada em Nova Délhi visa financiar tecnologias escaláveis em mercados emergentes e reduzir dependência de polos tradicionais de venture capital.

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Os países integrantes do Brics apresentaram uma proposta para criar um fundo multilateral voltado ao financiamento de startups do bloco e de seus parceiros. Anunciada durante a 18ª cúpula do grupo, realizada em Nova Délhi, na Índia, a iniciativa mira soluções tecnológicas escaláveis e o estímulo ao empreendedorismo em economias emergentes.
O plano surge em meio à postura mais cautelosa do capital de risco global, no qual grandes gestoras concentram alocações em mercados desenvolvidos. O mecanismo financeiro integra o eixo de Inovação do Brics — uma das quatro prioridades estratégicas definidas na cúpula, ao lado de resiliência, cooperação e sustentabilidade — e busca atenuar a dependência dos ecossistemas locais em relação aos polos tradicionais de investimento externo.
Rede de incubadoras e foco setorial
Junto ao fundo de investimento, o bloco anunciou a formação da Rede de Incubadoras do Brics. O projeto pretende interligar incubadoras, aceleradoras e empresas nascentes dos países-membros para fomentar projetos conjuntos, promover troca de conhecimento técnico e atrair novos aportes.
Segundo a presidência indiana do grupo, o instrumento financeiro terá como foco setores estratégicos alinhados a desafios estruturais contemporâneos. As áreas prioritárias para alocação incluem:
- Inteligência artificial e infraestrutura digital
- Saúde
- Energia limpa
- Soluções voltadas a desafios urbanos e climáticos
A articulação multilateral também reflete discussões geopolíticas em torno da concentração das cadeias de suprimento globais, englobando componentes como semicondutores e minerais críticos, que o grupo tenta contrabalançar por meio de cooperação técnica e econômica direta.
A militarização da tecnologia e dos minerais críticos pode impedir nosso progresso compartilhado. É por isso que destacamos a inclusão na adoção da tecnologia.
Impactos para as startups brasileiras
Para o ecossistema brasileiro, a estrutura surge como uma alternativa complementar de captação, principalmente para negócios em fases avançadas de crescimento. Embora o país concentre o principal polo de startups da América Latina — com relevância em fintechs, agtechs e healthtechs —, as companhias locais frequentemente encontram gargalos de liquidez no estágio de expansão, demandando capital internacional.
A abertura de um veículo de investimento multilateral do Brics adiciona uma rota direta de recursos com foco em mercados emergentes, cobrindo verticais nas quais empresas brasileiras já mantêm operações ativas e aderentes às metas de transição ecológica e modernização digital.