Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Investimentos

DOMO.VC atinge R$ 850 milhões sob gestão e entra no mercado de crédito estruturado

Ao completar uma década, a gestora cria braço de mercado de capitais e lança FIDC de até R$ 100 milhões para financiar startups sem diluição de equity.

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Redação 26 de setembro de 2026, 12h053 min de leitura
DOMO.VC atinge R$ 850 milhões sob gestão e entra no mercado de crédito estruturado

Imagem ilustrativa

Ao completar dez anos de atividade com R$ 850 milhões sob gestão, seis fundos estruturados e mais de 120 startups investidas, a DOMO.VC anunciou a ampliação do seu modelo de negócios. A casa fundada em 2016 por Marcello Gonçalves, Rodrigo Borges e Felipe Andrade, historicamente focada em aportes de venture capital em estágio inicial, passa a atuar como uma plataforma de capital ao ingressar na oferta de soluções de crédito estruturado para companhias do setor de tecnologia.

A nova estratégia operacional engloba a estruturação de uma área voltada ao mercado de capitais de dívida (DCM) e o lançamento do fundo FIDC DOMO Warehouse. O instrumento financeiro possui potencial para atingir até R$ 100 milhões de patrimônio e atua na antecipação de recebíveis, transformando receitas futuras em liquidez imediata. A estrutura serve de alternativa não dilutiva de capital de giro para empresas que precisam de recursos sem passar por novas rodadas societárias de equity, conforme detalhou o sócio-fundador Felipe Andrade:

“A demanda por uma nova área de DCM foi ficando cada vez mais evidente para nós, em um país que está há tantos anos convivendo com um custo de capital elevado e onde pequenas empresas ainda têm pouco acesso a capital de giro. O FIDC DOMO Warehouse é o início desse movimento. Estamos ampliando nossa atuação para construir uma plataforma de capital para tecnologia, capaz de oferecer soluções diferentes para empresas em diferentes momentos de sua história”, afirmou Felipe Andrade.

Base de investidas e governança ativa

O portfólio consolidado da gestora conta com 307 empreendedores e reúne empresas como MeuTudo, Conta Simples, Fretadão, Infleet, Carbigdata, Delfos, PO27, IZIcash e Turbi. Entre as alocações recentes estão aportes nas startups Jabuti, Nuvidio, TRAG Seguros e Condutive. A trajetória dos fundadores também engloba investimentos prévios à fundação da gestora em negócios que se tornaram unicórnios, como Loggi, Gympass e Hotmart, além da Oceanpact.

A metodologia aplicada pela casa segue a posição de sócia minoritária ativa, participando de conselhos e da governança formal para mitigar riscos de execução e preservar o caixa das operações. De acordo com Felipe Andrade, essa atuação com proximidade operacional sustenta os resultados construídos na última década:

“A DOMO conta com uma complementaridade de experiências e habilidades entre sócios-fundadores e o time que atraímos. Depois de dez anos de convivência, os modelos mentais ficam mais claros e o valor que conseguimos adicionar aumenta. Nosso modelo de atuação como sócio minoritário ativo, com governança formal e tendo a confiança dos founders, é a base para a criação de valor”, pontuou Andrade.

Critérios de seleção e o cenário brasileiro de liquidez

A evolução recente das ferramentas de inteligência artificial levou a equipe a ajustar seus parâmetros de seleção de investimentos. A tese da casa prioriza a capacidade de execução dos times e sua velocidade de adaptação, com foco na agilidade para substituir tecnologias conforme o surgimento de novos recursos no mercado, segundo explicou o sócio-fundador Rodrigo Borges:

“Está acontecendo muita coisa ao mesmo tempo, com novas ferramentas surgindo o tempo todo. O founding team que acompanha essas mudanças e consegue incorporá-las rapidamente tem uma vantagem. Não é apenas saber usar a ferramenta de hoje, mas ter a flexibilidade para trocar quando aparecer a próxima”, destacou Rodrigo Borges.

Além do fator tecnológico, a realidade do mercado financeiro nacional demanda arquiteturas próprias para enfrentar entraves estruturais de liquidez e desinvestimentos, em contraste com mercados internacionais mais desenvolvidos que oferecem rotas contínuas de saídas para fundos de capital de risco, na avaliação do sócio-fundador Marcello Gonçalves:

“Em outros países, como nos Estados Unidos, existe uma engrenagem de liquidez que permite ao venture capital funcionar de uma determinada maneira. No Brasil, nosso desafio é pensar em um modelo que considere as características do nosso mercado, principalmente a dificuldade de saída dos investimentos”, analisou Marcello Gonçalves.

Para o próximo ciclo de operações, o plano da DOMO.VC projeta consolidar a oferta de novas modalidades de crédito estruturado e ampliar o volume de empresas atendidas em diferentes fases de maturidade no ecossistema nacional.

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