Virgínia impõe freio a data centers e cria força-tarefa voltada a riscos de IA
Ordem executiva barra sigilo de autoridades, revê geração de energia de emergência e mira alta nos custos da conta de luz para moradores.

Imagem ilustrativa
A governadora da Virgínia, Abigail Spanberger, assinou uma ordem executiva para ampliar a participação das comunidades locais nas decisões sobre a expansão de data centers e conter o ritmo de aprovação de novos empreendimentos. O estado norte-americano abriga a maior concentração mundial desse tipo de infraestrutura.
A Ordem Executiva 22 proíbe integrantes do Poder Executivo estadual de firmarem acordos de confidencialidade vinculados a projetos de data centers. O texto determina ainda a criação acelerada de normas sobre ruído e exige uma revisão ampla das estruturas de geração de energia de emergência empregadas pelas instalações.
O decreto também cria uma força-tarefa dedicada à inteligência artificial. O grupo de trabalho vai avaliar alternativas para mitigar riscos à população do estado, como a perda de postos de trabalho e falhas de privacidade de dados, além de analisar a aplicação da legislação vigente diante de eventuais danos provocados pela tecnologia.
Regras mais duras e fim de benefícios
Junto com a ordem executiva, o governo estadual apresentou a Estrutura de Responsabilidade para Data Centers. O documento estabelece prioridades como o fim do modelo de aprovação automática de construções, a revisão de incentivos públicos e a aplicação de salvaguardas ambientais.
A aprovação automática vigorou por anos no condado de Loudoun e viabilizava obras em determinados terrenos sem aval prévio detalhado. As diretrizes buscam também evitar que a alta na demanda de eletricidade causada pelos complexos tecnológicos resulte em aumentos nas faturas de energia pagas pelos moradores.
- Proibição de termos de confidencialidade com servidores públicos estaduais
- Aceleração de regras sobre emissão de ruído e revisão de geradores de energia de emergência
- Fim da aprovação automática de projetos sem análise caso a caso
- Retirada de subsídios estaduais concedidos ao segmento
- Criação de comitê de inteligência artificial para temas de emprego e privacidade
Cobrança de entidades locais e avanço de outros estados
As iniciativas da gestão estadual receberam manifestações de apoio de organizações ligadas ao meio ambiente, embora lideranças locais defendam medidas mais rígidas, como a interrupção temporária de novas autorizações.
A medida aborda principalmente os padrões para novos data centers e não lida com o que já está construído e em andamento, nem com os impactos contínuos que se acumulam nas comunidades agora.
A decisão de Spanberger reflete um movimento em que governos estaduais dos Estados Unidos assumem a regulamentação sobre infraestrutura e inteligência artificial diante da lentidão em âmbito federal, sob a presidência de Donald Trump e o Congresso. Na mesma semana, a Califórnia reuniu analistas em ordem executiva sobre segurança de inteligência artificial, enquanto Nova York e Texas também adotaram restrições ao ritmo de implantação de novos centros de processamento de dados.