Starlink obtém novas licenças na Anatel, mas enfrenta barreiras móveis no Brasil
Autorização para a Banda S permite conexão direta a celulares, mas falta de aparelhos compatíveis e de espectro terrestre limita ambição da empresa.

Foto: Tesla Owners Club Belgium / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) concedeu uma ampliação de licenças de espectro para a Starlink no território brasileiro, com validade estabelecida até 2039. A decisão do Conselho Diretor ocorreu por quatro votos a um, com relatório conduzido pelo conselheiro Alexandre Freire e voto contrário de Edson Holanda. A medida abrange a chamada Banda S, faixa voltada a aplicações do tipo direct-to-device (D2D).
Com essa tecnologia, o serviço satelital tem a capacidade técnica de se vincular diretamente a telefones celulares, sem a exigência das tradicionais antenas receptoras fixas. O modelo viabiliza o fornecimento de internet móvel via satélite de forma autônoma, sem que o negócio precise recorrer a acordos comerciais com as operadoras de telecomunicações já instaladas no Brasil.
Incompatibilidade técnica de aparelhos e foco rural
Apesar do aval regulatório, a empresa de Elon Musk encontra um gargalo imediato na base instalada de dispositivos: quase nenhum modelo de smartphone ativo no Brasil traz suporte nativo às frequências da Banda S. Essa restrição técnica limita o impacto das licenças em centros urbanos no curto prazo, embora dê à companhia maior cobertura e capacidade de atendimento em regiões rurais desprovidas de infraestrutura cabeada ou torres terrestres.
O cenário local difere do mercado norte-americano, no qual a Starlink adquiriu diretamente no mercado faixas de espectro terrestre para estruturar sua atuação no segmento móvel. No Brasil, o acesso a camadas adicionais ainda depende de futuros leilões do regulador ou de aquisições societárias diretas no setor de telecomunicações.
Desafios de infraestrutura terrestre e satelital
Avaliações do UBS indicam que o avanço da Starlink como provedora móvel completa no mercado nacional exige mais do que a permissão de frequências espaciais. Faltam camadas de espectro terrestre em faixas de baixa, média e alta frequência, além de uma rede própria de apoio no solo e de um modelo mobile plenamente estruturado.
A participação em futuros leilões promovidos pela Anatel surge como uma via para obter capilaridade sem a necessidade de parcerias com concorrentes diretos. Paralelamente, em escala global, a companhia de satélites tem como desafio o ritmo de lançamentos em órbita, dependente da entrada em operação regular do sistema de transporte Starship em missões semanais.