Scanntech capta US$ 180 milhões em rodada liderada pela L Catterton
Aporte avalia a empresa em 5,5 vezes a receita anual e dá saída parcial para a gestora Warburg Pincus.

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A Scanntech fechou uma rodada de investimentos de cerca de US$ 180 milhões liderada pela L Catterton, com participação do Partners Group e do Bradesco. A transação confere aos novos acionistas uma fatia de aproximadamente 30% da companhia de inteligência para o varejo, sob um valuation estipulado em cerca de 5,5 vezes a receita anual.
O arranjo societário envolveu praticamente um ano de conversas e foi estruturado em uma proporção próxima de meio a meio entre injeção primária de capital e venda secundária de ações. A operação viabilizou a saída parcial da Warburg Pincus, fundo que havia investido US$ 40 milhões no negócio em 2023. Ao mesmo tempo, o veículo Hindiana, de Alfredo Villela, permanece na base de acionistas, enquanto o fundador Raúl Polakof segue no comando executivo.
Liquidez em mercado seletivo
A movimentação da Warburg Pincus reflete uma estratégia de realização de lucros sem abandonar o potencial de valorização do ativo. O processo competitivo contou com o interesse prévio de outros nomes globais de private equity, como Advent, General Atlantic e GIC, antes do desfecho com os líderes atuais. A assessoria financeira da Scanntech ficou a cargo do JP Morgan.
O aporte chama a atenção em meio à retração de ofertas públicas iniciais (IPOs) e ao ritmo mais restrito de saídas para empresas de base tecnológica. O avanço da companhia, sustentado por taxas anuais de crescimento na casa dos 30% e operação rentável, pesou favoravelmente na atração dos investidores, de olho em futuras janelas de venda estratégica ou abertura de capital.
Escala de dados e planos de expansão
A plataforma tecnológica da Scanntech monitora o fluxo de vendas diretamente dos pontos de caixa nos supermercados, totalizando o processamento de mais de R$ 1 trilhão por ano no varejo. Os dados analisam o sell-out em tempo real, gerando métricas precisas sobre precificação, volume de produtos, desempenho promocional e participação de mercado para redes supermercadistas e grandes indústrias de bens de consumo, higiene e bebidas.
O capital primário obtido na rodada será direcionado à internacionalização da empresa. Além da presença consolidada no Brasil — que se tornou a principal operação desde a entrada local em 2013 —, a Scanntech atua na Colômbia e no México. Os planos preveem a chegada a novos mercados a partir do ano que vem, englobando outros países latino-americanos e territórios fora da região.
Trajetória da companhia
Fundada em 1992 no Uruguai por Raúl Polakof, Benny Szylkowski e Soledad Fernández, a Scanntech começou desenvolvendo softwares para transformar computadores comuns em terminais de caixa para pequenos lojistas, viabilizando redes de serviços financeiros e promoções comerciais.
O negócio marcou a estreia da Sequoia Capital na América Latina com um aporte inicial de US$ 10 milhões em 2011, seguido por uma nova rodada em 2014, antes do desinvestimento posterior da gestora norte-americana. Agora capitalizada, a companhia intensifica sua estrutura analítica para acelerar a presença internacional.