Ruvo quer atingir R$ 1 bilhão em transações combinando stablecoins e Pix
Fundada por ex-executivo da Uber, fintech de contas globais cresceu 4,1 vezes desde fevereiro e projeta adicionar euros, libras e transferências via SWIFT.

Imagem: Divulgação/Ruvo
A Ruvo projeta ultrapassar R$ 1 bilhão em volume anualizado de transações até o encerramento de 2026. Apoiada em uma infraestrutura que integra transferências via Pix a dólares digitais (stablecoins), a fintech fundada em 2025 registrou avanço de 4,1 vezes no volume financeiro mensal desde fevereiro deste ano e superou a marca de 3 mil clientes, com mais de metade da base atraída por indicações.
A proposta da empresa é disputar espaço no segmento de contas internacionais com operadores como Wise, Nomad, Revolut e Nubank Ultravioleta. Para isso, adota taxas a partir de 0,3%, suporte humano com apoio de inteligência artificial via WhatsApp e isenção de IOF nas compras de ativos digitais sob sua interpretação regulatória. A companhia emite cartões de bandeira Visa e permite que pessoas físicas e jurídicas façam conversões, paguem salários no exterior ou usem ferramentas de rendimento sobre os saldos.
Fomos construídos realmente para brasileiros, pessoas e empresas. Nós nos concentramos apenas nesse mercado. As outras opções, em geral, tratam o Brasil como um pensamento tardio, na minha percepção.
Estrutura do negócio e expansão da oferta
O modelo de receita da Ruvo está ancorado em três pilares: a negociação de stablecoins, a tarifa de intercâmbio originada das transações com o cartão Visa e produtos financeiros de rendimento vinculados a ativos digitais. No portfólio de produtos, a empresa colocou no ar recentemente a funcionalidade Yield, voltada a remunerar o saldo depositado na conta, e avalia a inclusão de linhas de crédito e novos formatos de investimento.
Nas próximas semanas, o serviço expandirá suas opções de câmbio para além do dólar, adicionando movimentações em euros e libras, além de conexões com a rede bancária tradicional via transferências SWIFT. O recurso responde a demandas de empresas que necessitam pagar equipes e fornecedores estrangeiros ou faturar valores no exterior com liquidação local.
Trajetória corporativa e aportes
A companhia foi concebida por Alec Howard, ex-integrante da equipe de pagamentos da Uber no Brasil, e Mike Mason, hoje diretor de tecnologia (CTO). A operação começou atendendo engenheiros de software que prestavam serviços remotos e lidavam com custos altos para receber salários em moeda estrangeira. Inicialmente batizada de Cacao, a startup processou US$ 165 mil em suas semanas inaugurais.
- Aprovação no Batch Summer 2025 da aceleradora norte-americana Y Combinator;
- Captação seed de US$ 4,6 milhões em janeiro de 2026, com liderança da 1confirmation e participação da Coinbase Ventures e Rebel Fund;
- Alocação dos recursos no desenvolvimento de sistemas e expansão dos times de engenharia, vendas e marketing.
Howard afirma que a fintech estuda oportunidades pontuais fora do país para atender quem precisa realizar pagamentos no Brasil, mas mantém o ecossistema financeiro local como prioridade operacional. Para 2027, novas rodadas de investimento poderão ser estruturadas conforme as necessidades de capital da empresa.