Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Tecnologia

Redes sociais lideram busca de jovens sobre eleições, enquanto uso de IA segue restrito

Sondagem mostra que plataformas digitais dominam hábitos de informação política de eleitores de 17 a 25 anos, enquanto ferramentas como chatbots são procuradas por minoria.

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Redação 25 de setembro de 2026, 08h023 min de leitura
Redes sociais lideram busca de jovens sobre eleições, enquanto uso de IA segue restrito

Imagem ilustrativa

As redes sociais são a principal fonte de informação política para a maioria dos jovens urbanos, superando mecanismos de busca tradicionais e a imprensa. Em um universo em que eleitores de 16 a 29 anos representam 21,6% de todo o eleitorado apto no Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a busca por dados sobre candidatos e processo eleitoral migrou quase inteiramente para telas conectadas e perfis diretos em plataformas online.

Um questionário aplicado a 30 jovens com idades entre 17 e 25 anos em centros urbanos, com escolaridade que vai do Ensino Médio em andamento ao Ensino Superior concluído, indicou que 20 deles utilizam redes sociais para acompanhar os assuntos do pleito. O buscador do Google foi citado por seis participantes, enquanto três mencionaram veículos jornalísticos de forma direta e dois afirmaram não ter o hábito de procurar esse tipo de conteúdo.

Para pesquisar postulantes a cargos públicos, os perfis oficiais mantidos no Instagram e na plataforma X costumam ser a porta de entrada. Muitos eleitores cruzam essas postagens com consultas posteriores no Google sobre a atuação prévia dos políticos. O acesso direto às páginas oficiais da Justiça Eleitoral ou da imprensa tradicional costuma acontecer de forma secundária, por meio de links recomendados pelos algoritmos de distribuição.

Adoção restrita e desconfiança marcam relação com IA generativa

Apesar do endurecimento das regras do TSE para coibir deepfakes e normatizar conteúdos sintéticos para a disputa de 2026, a inteligência artificial generativa ainda tem baixa penetração como consultora política. Apenas oito dos 30 jovens ouvidos relataram ter feito uso de chatbots para finalidades ligadas ao pleito. A barreira da neutralidade é apontada como um dos motivos para a distância: entre os que evitam a ferramenta, há receio de que as respostas não sejam inteiramente imparciais.

Quando acionada, a tecnologia costuma ser direcionada a dúvidas práticas ou a pedidos específicos de síntese documental. As perguntas incluíram desde orientações sobre o manuseio da urna eletrônica até requisições de resumos sobre projetos de lei protocolados por determinados candidatos. Usuários mais velhos da amostra relataram condicionar o prompt a fontes jornalísticas conhecidas para garantir maior equilíbrio na resposta gerada pelos sistemas.

Quando a informação chega por um chatbot, ela chega com um aspecto de uma informação mais polida, que dá a sensação de ser a palavra final.

Órgãos públicos enfrentam barreiras para engajar no formato digital

A aproximação institucional com esse contingente esbarra em dificuldades que vão além da presença em redes sociais. Iniciativas criadas sob o guarda-chuva do Programa Eleitor do Futuro, instituído pelo TSE em 2002, têm buscado formatos em vídeo para dialogar com a juventude, mas nem sempre encontram o retorno planejado.

No Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), cerca de 300 estudantes integraram oficinas audiovisuais com foco no combate à desinformação. Por outro lado, um concurso de vídeos curtos promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) sob o tema Juventude Contra a Desinformação registrou baixa adesão, mesmo oferecendo premiações aos participantes.

Mesmo oferecendo uma premiação atrativa e propondo a produção de vídeos curtos, que é um formato muito presente no cotidiano dos jovens, tivemos uma adesão menor do que esperávamos. Isso nos mostra que estar onde os jovens estão não significa, necessariamente, conseguir mobilizá-los.

A dificuldade de conexão coincide com dúvidas básicas entre eleitores que estreiam no sistema de votação. Participantes relatam incertezas conceituais que vão das atribuições de deputados e senadores até as regras para a escolha de duas cadeiras no Senado em 2026. Projetos como o #FakeTôFora, conduzido pelo Instituto Palavra Aberta, tentam suprir essas lacunas em salas de aula preparando grupos discentes para checar conteúdos e examinar a procedência de informações que circulam na web.

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