Redes sociais lideram busca de jovens sobre eleições, enquanto uso de IA segue restrito
Sondagem mostra que plataformas digitais dominam hábitos de informação política de eleitores de 17 a 25 anos, enquanto ferramentas como chatbots são procuradas por minoria.

Imagem ilustrativa
As redes sociais são a principal fonte de informação política para a maioria dos jovens urbanos, superando mecanismos de busca tradicionais e a imprensa. Em um universo em que eleitores de 16 a 29 anos representam 21,6% de todo o eleitorado apto no Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a busca por dados sobre candidatos e processo eleitoral migrou quase inteiramente para telas conectadas e perfis diretos em plataformas online.
Um questionário aplicado a 30 jovens com idades entre 17 e 25 anos em centros urbanos, com escolaridade que vai do Ensino Médio em andamento ao Ensino Superior concluído, indicou que 20 deles utilizam redes sociais para acompanhar os assuntos do pleito. O buscador do Google foi citado por seis participantes, enquanto três mencionaram veículos jornalísticos de forma direta e dois afirmaram não ter o hábito de procurar esse tipo de conteúdo.
Para pesquisar postulantes a cargos públicos, os perfis oficiais mantidos no Instagram e na plataforma X costumam ser a porta de entrada. Muitos eleitores cruzam essas postagens com consultas posteriores no Google sobre a atuação prévia dos políticos. O acesso direto às páginas oficiais da Justiça Eleitoral ou da imprensa tradicional costuma acontecer de forma secundária, por meio de links recomendados pelos algoritmos de distribuição.
Adoção restrita e desconfiança marcam relação com IA generativa
Apesar do endurecimento das regras do TSE para coibir deepfakes e normatizar conteúdos sintéticos para a disputa de 2026, a inteligência artificial generativa ainda tem baixa penetração como consultora política. Apenas oito dos 30 jovens ouvidos relataram ter feito uso de chatbots para finalidades ligadas ao pleito. A barreira da neutralidade é apontada como um dos motivos para a distância: entre os que evitam a ferramenta, há receio de que as respostas não sejam inteiramente imparciais.
Quando acionada, a tecnologia costuma ser direcionada a dúvidas práticas ou a pedidos específicos de síntese documental. As perguntas incluíram desde orientações sobre o manuseio da urna eletrônica até requisições de resumos sobre projetos de lei protocolados por determinados candidatos. Usuários mais velhos da amostra relataram condicionar o prompt a fontes jornalísticas conhecidas para garantir maior equilíbrio na resposta gerada pelos sistemas.
Quando a informação chega por um chatbot, ela chega com um aspecto de uma informação mais polida, que dá a sensação de ser a palavra final.
Órgãos públicos enfrentam barreiras para engajar no formato digital
A aproximação institucional com esse contingente esbarra em dificuldades que vão além da presença em redes sociais. Iniciativas criadas sob o guarda-chuva do Programa Eleitor do Futuro, instituído pelo TSE em 2002, têm buscado formatos em vídeo para dialogar com a juventude, mas nem sempre encontram o retorno planejado.
No Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), cerca de 300 estudantes integraram oficinas audiovisuais com foco no combate à desinformação. Por outro lado, um concurso de vídeos curtos promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) sob o tema Juventude Contra a Desinformação registrou baixa adesão, mesmo oferecendo premiações aos participantes.
Mesmo oferecendo uma premiação atrativa e propondo a produção de vídeos curtos, que é um formato muito presente no cotidiano dos jovens, tivemos uma adesão menor do que esperávamos. Isso nos mostra que estar onde os jovens estão não significa, necessariamente, conseguir mobilizá-los.
A dificuldade de conexão coincide com dúvidas básicas entre eleitores que estreiam no sistema de votação. Participantes relatam incertezas conceituais que vão das atribuições de deputados e senadores até as regras para a escolha de duas cadeiras no Senado em 2026. Projetos como o #FakeTôFora, conduzido pelo Instituto Palavra Aberta, tentam suprir essas lacunas em salas de aula preparando grupos discentes para checar conteúdos e examinar a procedência de informações que circulam na web.