Olist atinge breakeven e vai investir R$ 500 milhões com caixa próprio até 2028
Empresa registra margem bruta de 70%, prepara estreia no mercado de maquininhas para 2027 e descarta necessidade de novas captações.

Foto: Divulgação/Olist
A Olist alcançou o ponto de equilíbrio financeiro em agosto de 2026, com Ebitda positivo e geração de caixa, desempenho que se repetiu em setembro. A virada operacional representou um ganho de 30 pontos de margem em doze meses: no quarto trimestre de 2025, o negócio queimava cerca de R$ 15 milhões, enquanto a projeção para o quarto trimestre deste ano aponta para uma geração de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões positivos, com margem bruta em 70% e avanço de receita de 55%.
Com a sustentabilidade financeira conquistada, a companhia definiu um plano para investir aproximadamente R$ 500 milhões entre o fim de 2026 e o fim de 2028. Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de produtos, aquisições e atração de novos clientes, utilizando exclusivamente a geração própria de caixa. A última captação ocorreu em 2021, em uma Série E de US$ 186 milhões que transformou a empresa em unicórnio, e a direção descarta novas rodadas.
A companhia tem caixa muito robusto e passou a gerar caixa, e por isso a gente quer ser mais agressivo. A gente não espera captar uma nova rodada, não precisa.
Centralidade no ERP e expansão em pagamentos
A base da operação está ancorada no sistema de gestão Tiny, adquirido em 2021. Atualmente, 100% dos novos clientes ingressam no ecossistema por meio do ERP. A empresa conta com mais de 60 mil companhias na carteira e 500 mil usuários ativos diariamente. O volume transacionado anual atingiu R$ 70 bilhões, uma alta de 38%, impulsionada por conexões com mais de 100 canais de venda digitais e pela presença no varejo físico, que já responde por metade dessas transações.
Para aprofundar a atuação no varejo presencial, a Olist iniciou testes com maquininhas de pagamento próprias, planejando o lançamento comercial para 2027. O movimento colocará a empresa em rota direta de concorrência com adquirentes consolidadas como Stone e PagSeguro.
A maquininha é importante para a gente porque simplifica muito a operação de pagamento da loja física. É um tema estratégico.
Aceleração em crédito e inteligência artificial
A unidade de serviços financeiros tornou-se um dos principais motores do negócio após a compra da fintech Flip no ano passado. Metade da expansão de 2026 decorre de produtos financeiros. Por meio de um FIDC proprietário, a Olist já antecipou cerca de R$ 1 bilhão em duplicatas mercantis e recebíveis de cartão de crédito neste ano.
O histórico de dados do ERP orienta a precificação e a concessão de crédito, resultando em uma dinâmica na qual 80% dos tomadores de recursos já utilizavam a plataforma de gestão. Na frente de inteligência artificial, o copiloto Lis, integrado ao WhatsApp, já é utilizado por 20 mil clientes e executa mais de 500 mil rotinas automáticas de compras, faturamento e apoio administrativo.
Para os próximos ciclos, a projeção é sustentar uma taxa de expansão entre 45% e 50% anuais até 2029. Em fusões e aquisições, o objetivo é analisar a compra de uma empresa por ano a partir de 2027, com foco em empresas de pagamentos, contabilidade, logística, comércio eletrônico e soluções nativas de inteligência artificial.