Nomad investe mais de R$ 100 milhões para trazer o Time Out Market ao Brasil
Acordo de dez anos prevê abertura de unidade na Avenida Paulista no primeiro trimestre de 2027.

Imagem ilustrativa — banco de imagens de domínio público
A Nomad investirá mais de R$ 100 milhões em um contrato de dez anos para viabilizar a chegada do primeiro Time Out Market da América Latina ao Brasil. A fintech escolheu o Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo, como sede do empreendimento gastronômico, cuja inauguração está programada para o primeiro trimestre de 2027.
O projeto prevê uma área de 3.250 metros quadrados com capacidade para acomodar entre 750 e 800 pessoas simultaneamente, com projeção de três giros de atendimento por dia. A estrutura reunirá 17 restaurantes, três bares, uma padaria e uma cozinha estúdio voltada para masterclasses e degustações.
A operação segue um modelo classificado como experience rights, desenhado para ir além da simples exposição de logotipo em fachadas típica dos contratos tradicionais de naming rights. A estratégia busca aprofundar os pontos de contato físicos da marca financeira com seu público-alvo em momentos de lazer e consumo.
Uma parceria tão grandiosa não se encaixava num modelo tradicional de patrocínio do mercado. Não era só estampar o logo numa fachada. Envolvia uma colaboração recorrente na plataforma, no espaço físico e também na plataforma do Time Out Global.
Operação culinária própria e conexões internacionais
Dentro do complexo paulista, a própria Nomad assumirá a gestão de um dos restaurantes. Esse espaço terá uma curadoria rotativa dedicada a receber chefs estrangeiros em intercâmbio com a gastronomia nacional, viabilizando experiências internacionais sem exigir que os clientes saiam do país. O espaço também sediará as Nomad Sessions e cerimônias de premiação.
O contrato estabelece ainda benefícios para clientes da fintech em filiais do Time Out Market no exterior, a começar pelos endereços de Lisboa e Nova York. Os usuários terão acesso a cortesias como drinques, aperitivos, masterclasses e degustações de vinhos. No campo editorial, a parceria contempla produções quinzenais no blog da fintech e a publicação de seis guias culturais conjuntos.
Temos sempre a preocupação de promover experiências que apresentem a marca de uma forma mais palpável e premium na vida das pessoas. O Time Out é uma marca global, presente em vários mercados e com uma circulação grande de brasileiros nesses destinos. Então, para nós, fez muito sentido.
Estratégia física e ambição de banco principal
A aposta em um polo gastronômico integra uma série de movimentações presenciais conduzidas pela Nomad desde a sua fundação, em novembro de 2020. A lista inclui o Nomad Lounge no Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, uma cafeteria ao lado do Consulado Americano, um espaço próprio em Orlando, lounges pontuais na Avenida Faria Lima e o patrocínio ao MasterChef.
É uma marca que quer fazer parte do dia a dia das pessoas. Hoje a gente já faz parte quando elas pensam em dinheiro, mas a ambição da Nomad é muito grande e a gente quer ser uma das principais marcas da vida delas no futuro.
Apesar da ponte com ativos globais, a instituição financeira mantém foco prioritário nos brasileiros que residem no país e realizam viagens ao exterior, sem planos no curto prazo de captar estrangeiros. A meta central do grupo é ampliar seu catálogo de produtos para converter a base em correntistas integrais no Brasil.
Direito de preferência na América Latina
Criado em Portugal em 2014, o Time Out Market opera em mais de 13 cidades globais, como Dubai e Nova York. De acordo com Benjamin Ramalho, líder da franquia na América Latina, a matriz em Lisboa recebe sozinha mais de 1 milhão de viajantes brasileiros anualmente. O acordo garante à fintech o direito de preferência para ativar novas unidades que venham a ser lançadas no Brasil e em outros mercados sul-americanos.
O objetivo é que essa seja a flagship e que o projeto se expanda para outras cidades no Brasil e para a América do Sul. Acho que há um enorme potencial, pois temos grandes capitais brasileiras com cozinhas super inovadoras, além de um fluxo de turismo crescente e importante e localizações tombadas, icônicas, em corredores culturais e corporativos que podem ser trabalhados.