NG.CASH capta US$ 15 milhões com Blockchain Capital para criar produtos em stablecoins
Fintech brasileira recebe aporte estratégico para acelerar frentes de ativos virtuais, mantendo foco principal na concessão de crédito.

Imagem: Divulgação/Blockchain Capital
A fintech NG.CASH captou US$ 15 milhões em uma rodada de investimentos liderada pela gestora global Blockchain Capital. O aporte tem caráter estratégico e será direcionado ao desenvolvimento de produtos apoiados em infraestrutura de blockchain e stablecoins, sem desviar a operação da expansão de suas linhas de crédito no mercado brasileiro.
A aproximação com o novo investidor ocorreu por contato direto conduzido pelo cofundador e presidente-executivo da fintech, Mário Augusto Sá, dispensando a assessoria de bancos de investimento ou intermediários financeiros. Em julho de 2025, a companhia havia levantado US$ 26,5 milhões em uma Série B liderada pela norte-americana New Enterprise Associates (NEA), mantendo caixa suficiente para as operações correntes.
Quando as conversas com a Blockchain Capital avançaram, a gente estava muito bem capitalizado e com uma tese muito clara. O interesse deles, somado ao nosso desejo de mergulhar mais em blockchain, fez a gente abrir espaço para um investidor selecionado como esse.
A nova injeção de recursos não é tratada como Série C nem como extensão da Série B. A Blockchain Capital ingressa na estrutura acionária ao lado de investidores que já apoiavam a fintech, como a16z, NEA, Monashees, Quantum Light, Endeavor Catalyst, Daphni e 17Sigma.
Foco em stablecoins e ambiente regulatório
A estratégia da NG.CASH na frente de ativos digitais prioriza o desenvolvimento de soluções com stablecoins voltadas ao uso cotidiano, afastando-se do modelo de corretagem para compra e venda com foco em especulação financeira. A tese é amparada no peso do Brasil no setor de criptoativos e no avanço do arcabouço regulatório local, com normas do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASP) e os testes do Drex.
As mudanças nas regras de criptoativos no Brasil e os avanços no Drex criam uma janela de oportunidades muito relevante para a gente abraçar.
O movimento em ativos digitais acompanha passos regulatórios anteriores da empresa, que já havia obtido autorização de Instituição de Pagamento (IP) e concluído a compra da Sociedade de Crédito Direto (SCD) da BizCapital. Além do capital aportado, o novo acionista entra com experiência técnica em arquitetura de redes distribuídas e regulamentação do setor financeiro internacional.
Crédito como núcleo do negócio
Apesar do investimento em tecnologia blockchain, a prioridade comercial da NG.CASH continua concentrada na originação de crédito. Em 2026, o portfólio da companhia incorporou o Pix Crédito e o Crédito CLT, voltado a trabalhadores formais via consignado privado. A meta estabelecida pela gestão é atingir R$ 1 bilhão em crédito concedido até o final de 2027.
A expansão internacional com base em ferramentas de crédito e stablecoins está mapeada para o longo prazo, mas o foco operacional de curto prazo permanece no Brasil. A fintech atende mais de 10 milhões de clientes cadastrados, ante 8 milhões registrados em junho de 2026 e 7 milhões no primeiro semestre de 2025.