Mombak faz primeiro fechamento de fundo de US$ 150 mi e capta R$ 200 mi no BNDES
Startup de restauração florestal na Amazônia combina novo veículo de investimento com linha do Fundo Clima para acelerar produção de créditos de carbono.

Foto: Lindsey8417 / (CC BY 2.5)
A Mombak concluiu a primeira etapa de captação de seu segundo fundo, voltado a projetos de restauração florestal na Amazônia, que tem meta de atingir US$ 150 milhões. A startup, especializada na recuperação de áreas degradadas para gerar créditos de remoção de carbono, não revelou os investidores participantes nem a quantia levantada nessa rodada inicial. Em paralelo à captação privada, a operação assegurou uma linha de crédito de R$ 200 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com taxa de juros de 2,3% ao ano.
Fundada por Peter Fernandez, ex-CEO da 99, e Gabriel Haddad Silva, ex-CFO do Nubank, a empresa soma cinco anos de atuação e já levantou anteriormente mais de US$ 250 milhões com instituições como Banco Mundial, Fundação Rockefeller, CPP Investments, Bain Capital e AXA. O veículo anterior da startup havia mobilizado US$ 120 milhões, viabilizando o plantio de quase 15 milhões de árvores de mais de 100 espécies em 27 mil hectares no estado do Pará. Com o novo aporte, o objetivo central passa a ser o ganho de escala, a previsibilidade e a elevação do volume de carbono retirado da atmosfera por hectare.
Entrega de créditos e contratos com gigantes de tecnologia
A rodada acontece em um momento em que a startup consolida seu histórico operacional. Em julho, a Mombak realizou a primeira emissão de créditos de remoção de carbono florestal sob o protocolo da certificadora britânica Isometric, entregando lotes para clientes corporativos como Bain, Google, McKinsey, McLaren Racing e Union Square Ventures. Algumas dessas liquidações aconteceram com mais de dois anos de antecedência frente ao cronograma contratual. A previsão da companhia é emitir cerca de 80 mil toneladas adicionais ainda em 2026, ultrapassando a marca de 100 mil toneladas entregues no ano.
A captação recente também reflete uma adaptação na governança comercial. A prática de garantir compradores antecipados passou a integrar o desenho de cada novo projeto de restauração florestal. Recentemente, a Salesforce firmou contrato de compra futura com a empresa, recebendo uma primeira fatia de 2 mil créditos e somando-se a outros nomes do setor de tecnologia, como Microsoft e Google, que já compram da Mombak.
O mercado de carbono está evoluindo. Se de um lado há mais compradores e mais projetos, por outro, os investidores estão adotando uma postura mais cautelosa. Por isso, o mercado de carbono está indo na mesma direção do de energia renovável. Antes de construir, antes de financiar, tem que ter um comprador e um contrato de venda, afirmou Gabriel Haddad Silva, fundador e CEO da Mombak.
Mudanças no modelo operacional e financiamento público
O aprendizado na execução do primeiro veículo também exigiu reformulações técnicas no modelo de silvicultura. A Mombak concluiu que a regeneração natural não oferece a regularidade exigida pelo negócio e passou a priorizar o plantio direto com metodologia inspirada nas florestas comerciais de celulose, adaptada para o cultivo de espécies nativas. Profissionais vindos de companhias como a Suzano foram integrados à operação para reforçar frentes de melhoramento genético, viveiros e controle de vegetação competidora, que se tornou a principal linha de custo da empresa após ter sido subestimada no início.
Mais do que o impacto em número de hectares, o que a gente está vendo na empresa é a evolução na captura de carbono por hectare. Cada hectare hoje é muito mais produtivo do que o hectare que a gente começou a adquirir lá no primeiro fundo, explicou Gabriel Haddad Silva.
A estratégia orçamentária divide os recursos: o capital de terceiros do fundo é voltado para a aquisição de terras e parcerias rurais, enquanto os R$ 200 milhões obtidos via BNDES financiam as obras de campo. O orçamento integral do projeto corrente soma R$ 457 milhões, complementado por R$ 257 milhões de recursos próprios da startup para restaurar 20 mil hectares de pastagens degradadas. A linha faz parte da estratégia do banco de fomento para estruturar uma economia de base florestal: desde 2023, o BNDES aprovou R$ 2,9 bilhões em crédito via Fundo Clima para 17 grupos empresariais com projetos na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica.