Terça-feira, 20 de outubro de 2026
Investimentos

México supera Brasil e capta US$ 1,52 bi em venture capital em 2026

Startups mexicanas atraíram 41% mais recursos que as brasileiras entre janeiro e setembro, impulsionadas por aportes de maior porte.

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Redação 20 de outubro de 2026, 08h083 min de leitura
México supera Brasil e capta US$ 1,52 bi em venture capital em 2026

Imagem ilustrativa

As startups mexicanas captaram US$ 1,52 bilhão em aportes de venture capital entre janeiro e setembro de 2026, superando em cerca de 41% o volume de US$ 1,08 bilhão destinado a empresas brasileiras no mesmo período. Os números representam uma mudança relevante na dinâmica regional, uma vez que o Brasil ocupava historicamente a liderança consolidada em recursos recebidos por negócios de inovação na América Latina.

A explicação para o avanço do México sobre o Brasil está centrada no valor individual das captações. O ecossistema mexicano atraiu transações mais vultosas em poucas empresas, como ocorreu no terceiro trimestre com a fintech Kapital. A companhia levantou US$ 125 milhões em uma rodada Série C que combinou instrumentos de dívida e participação acionária, operação que levou o negócio a uma avaliação de mercado de US$ 1,6 bilhão.

De acordo com a avaliação de Igor Piquet, da Endeavor Catalyst, esse cenário reflete estratégias distintas de alocação de capital entre os dois maiores polos da região:

Os investidores estão concentrando recursos em algumas vencedoras mexicanas, enquanto o Brasil mantém a amplitude.

Apesar de ter captado um volume financeiro menor no acumulado do ano, o mercado brasileiro continuou à frente em termos operacionais, com maior número total de negócios fechados e predomínio em saídas de investidores, englobando aquisições e outras transações de liquidez.

Negócios no mercado brasileiro e movimentação por estágio

No ecossistema brasileiro, as captações em fases iniciais lideraram as atenções. Em agosto, a fintech Kesh Bank levantou US$ 106,9 milhões em uma rodada Seed composta por dívida e participação acionária, com valuation fixado em US$ 626 milhões. Outro destaque foi a Decade, voltada à assessoria patrimonial com inteligência artificial e fundada por Vitor Olivier, ex-CTO do Nubank, e Felipe Meneses, fundador da Hyperplane AI. A startup obteve US$ 85 milhões na maior rodada Seed já registrada para uma companhia latino-americana.

Ao longo de toda a América Latina, os investimentos somaram US$ 1,3 bilhão no terceiro trimestre de 2026, representando expansão de 26% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, embora tenha ocorrido uma retração de 9% contra o segundo trimestre deste ano. O comportamento foi heterogêneo entre os níveis de maturidade das empresas:

  • Rodadas late-stage e growth captaram US$ 757 milhões no terceiro trimestre, salto anual de 74%, mas queda de 21,3% frente aos US$ 962 milhões do trimestre imediatamente anterior.
  • Aportes anjo e Seed totalizaram US$ 266 milhões, crescimento de 62% em comparação anual e 128% contra o segundo trimestre, correspondendo a 20,5% do capital aplicado.
  • Estágios iniciais (early-stage, séries A e B) movimentaram US$ 288 milhões, recuo de 34% em relação ao terceiro trimestre de 2025.

Diversificação com energia e o papel dos investidores globais

O terceiro trimestre também registrou uma alteração na habitual concentração setorial em fintechs. As duas maiores captações do período na região foram direcionadas a companhias do setor de energia fora do eixo Brasil-México. A chilena Black Giant, vinculada ao projeto de lítio homônimo da EnergyX, recebeu US$ 225 milhões em julho com valuation de US$ 900 milhões. Em agosto, a colombiana Erco Energía, especializada em sistemas solares residenciais e corporativos, fechou uma Série C de US$ 129 milhões avaliada em US$ 600 milhões.

Paralelamente, investidores internacionais aumentaram a presença na América Latina nos primeiros três trimestres de 2026, superando a atuação combinada dos anos de 2024 e 2025 em aportes primários e rodadas de acompanhamento (follow-ons). Fundos globais como Sequoia, Founders Fund, NEA, Battery e Tidemark realizaram primeiros investimentos ou retomaram negócios na região após períodos prolongados de ausência.

Essa atuação internacional tem se mostrado mais seletiva. Fundos que aceleraram aportes durante o pico de 2020 e 2021 passaram a direcionar atenções a portfólios existentes ou a frentes de inteligência artificial em outros mercados. Ao mesmo tempo, as teses globais se concentram em empresas nativas de IA e infraestrutura financeira, em especial stablecoins e pagamentos transfronteiriços, exigindo que os empreendedores locais criem negócios com ambição internacional e disputem recursos diretamente com startups de outras regiões do mundo.

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