Meta e OpenAI preparam aparelhos dedicados de inteligência artificial com avatares visuais
Gigantes do setor apostam em agentes virtuais carismáticos para superar o histórico de fracassos de dispositivos físicos como Humane AI Pin e Friend

Imagem: Divulgação/Meta
Meta e OpenAI preparam a entrada no mercado de hardware próprio voltado para inteligência artificial, recorrendo a agentes virtuais interativos para estimular o interesse do consumidor. A estratégia busca reverter o histórico negativo de aparelhos dedicados que fracassaram no mercado de consumo, a exemplo do Humane AI Pin e do Friend, que enfrentaram fortes críticas de desempenho.
Para quebrar essa resistência, as companhias adotaram um modelo de introdução prévia por software. A meta é habituar o público aos assistentes virtuais em computadores e celulares antes de cobrar pela compra de um equipamento físico dedicado, apostando em interfaces visuais com formato amigável para gerar engajamento contínuo.
O cronograma dos lançamentos de hardware
A Meta pretende colocar o Muse Charm no mercado antes do período de compras de fim de ano de 2026. O equipamento lembra um chaveiro, traz uma tela integrada com o avatar do assistente e foi detalhado no palco pelo presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, ao explicar o funcionamento do produto para usuários sem óculos inteligentes.
Colocamos muita tecnologia nesse carinha. Se você não estiver usando óculos, esta será de longe a maneira mais rápida de falar com seu Muse e mostrar o que está acontecendo ao seu redor.
Já a OpenAI planeja disponibilizar seu primeiro dispositivo a partir de fevereiro de 2027, de acordo com registros públicos. O projeto conta com a colaboração do designer Jony Ive, ex-executivo da Apple. Durante o evento DevDay 2026, a empresa não exibiu o equipamento, mas oficializou a plataforma de agentes Dots, representada por figuras circulares coloridas com olhos.
Questionado se o Dots será integrado ao futuro aparelho, o presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou a jornalistas que a possibilidade é razoável para o futuro da companhia, embora tenha evitado detalhar as especificações técnicas da iniciativa.
Produtividade de longo prazo e obstáculos técnicos
Diferente de antecessores focados em conversação passiva, as duas empresas tentam posicionar seus assistentes como ferramentas úteis de produtividade diária. O líder de produtos principais da OpenAI, Thibault Sottiaux, explicou em sessão de perguntas que o ChatGPT evoluirá para um assistente integrado por e-mail, texto e telefone. Sam Altman reforçou a utilidade do Dots em tarefas extensas durante a coletiva.
A sensação é de um assistente e colaborador sempre ativo, para o qual você pode atribuir grandes tarefas e que passa a conhecer você, ajudando proativamente ao longo do tempo.
Apesar dos planos comerciais, as plataformas ainda encaram falhas operacionais na fase inicial de testes. O assistente Muse se envolveu em falhas recentes no Facebook Marketplace, enquanto a OpenAI enfrentou problemas durante a demonstração pública do sistema de voz do Dots no DevDay.