Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Tecnologia

Máquinas de perfusão rejuvenescem fígados doados em nível biológico

Dispositivos que bombeiam oxigênio e nutrientes reduzem idade celular em até 30% e ampliam o aproveitamento de órgãos para transplantes.

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Redação 20 de setembro de 2026, 17h013 min de leitura
Máquinas de perfusão rejuvenescem fígados doados em nível biológico

Imagem ilustrativa

Fígados doados e submetidos a máquinas de perfusão apresentam uma idade biológica até 30% menor na comparação com órgãos mantidos no gelo, apontam pesquisadores do Brigham and Women's Hospital e do Mass General Brigham. O método, que bombeia nutrientes e oxigênio para manter as funções celulares ativas fora do corpo, reverte marcadores moleculares de envelhecimento e ajuda a explicar os índices superiores de sucesso pós-cirúrgico nesses tecidos.

O procedimento padrão de preservação envolve a lavagem do órgão com solução específica e o acondicionamento em baixa temperatura, ambiente no qual a deterioração celular começa de forma imediata e limita o transporte a poucas horas. A perfusão mecânica, operada por períodos de seis a 12 horas, simula as condições internas do organismo e fornece aos médicos uma janela mais ampla para analisar e recuperar tecidos que apresentam características clínicas desfavoráveis.

Se nós conseguirmos melhorar o aproveitamento de órgãos para além do que os sistemas atuais conseguem fazer, para mim isso já é uma vitória.

Medição por relógios epigenéticos

Para medir os impactos celulares da técnica, a equipe liderada por Heidi Yeh e Alban Longchamp aplicou ferramentas conhecidas como relógios de envelhecimento, projetadas para estimar o desgaste biológico a partir de alterações no DNA. Na primeira fase, foram analisadas 37 amostras retiradas de 19 fígados. Mesmo estruturas retiradas de doadores cronologicamente mais velhos apresentaram perfil molecular mais jovem quando mantidas no equipamento mecânico.

Em uma segunda etapa, o grupo avaliou 208 amostras provenientes de 103 fígados após seis horas de armazenamento e realizou biópsias adicionais cerca de uma hora depois da implantação nos receptores. Embora o estresse da cirurgia aumente a idade biológica geral de qualquer tecido após o restabelecimento sanguíneo, os órgãos perfundidos preservaram a vantagem molecular obtida na máquina.

Bombeá-los a 34 graus, com oxigênio e nutrientes, realmente reverteu a idade biológica.

Barreira de custos e reparo celular

As análises genéticas apontaram mudanças em mecanismos celulares ligados à resposta inflamatória e à manutenção tecidual. Os pesquisadores também detectaram maior atividade nos circuitos responsáveis por reciclar e eliminar componentes danificados nas células. O objetivo dos cientistas agora envolve a criação de testes preditivos baseados na idade biológica e o teste de fármacos que possam reproduzir esse processo.

A aplicação em larga escala, contudo, esbarra no investimento financeiro demandado pelos equipamentos. Nos Estados Unidos, a perfusão varia de US$ 80 mil a US$ 100 mil por fígado, enquanto na Alemanha o custo ronda 10 mil euros — quantia equivalente a 25% de todo o orçamento médio de um procedimento de transplante no país europeu.

Mudança no perfil dos doadores

Apesar do valor elevado, a adoção dos equipamentos de suporte já alterou os critérios operacionais das equipes cirúrgicas. Doadores que faleceram por parada circulatória com mais de 40 anos costumavam ter seus órgãos recusados pelos centros médicos devido aos danos provocados pela interrupção do fluxo de sangue. Com a tecnologia, equipes já utilizam com segurança tecidos de pacientes com idades que ultrapassam 70 anos.

A perfusão mudou completamente o cenário dos transplantes nos últimos três anos.

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