Terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Magalu entra oficialmente na disputa do delivery

Varejista oficializa serviço de entrega integrado ao aplicativo, dando mais um passo na estratégia de superapp.

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Redação 1 de setembro de 2026, 12h203 min de leitura
Magalu entra oficialmente na disputa do delivery

Foto: Magazine Luiza - Magalu / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Magazine Luiza oficializou a criação do Magalu Delivery, funcionalidade inserida diretamente em sua plataforma móvel que começa a operar em mais de 400 cidades brasileiras. O serviço contempla pedidos de refeições prontas, itens de supermercado e produtos de conveniência, dispensando a necessidade de download de um aplicativo secundário para a realização das compras.

A iniciativa representa a consolidação da compra do aiqfome, empresa adquirida pela varejista em 2020. A gestão logística e operacional das entregas continua sob responsabilidade da equipe do aiqfome, mas a comunicação visual e o ponto de contato com o público passam a levar o nome do Magazine Luiza, com entregadores utilizando mochilas azuis padronizadas com a nova marca.

Integração com a base de 50 milhões de usuários

O acesso ao serviço ocorre por meio de uma seção dedicada no aplicativo do Magalu, onde o consumidor encontra estabelecimentos comerciais próximos à sua localização, filtros por categoria de produto e tipos de culinária. A estratégia busca converter em pedidos recorrentes de alimentação a audiência de mais de 50 milhões de usuários ativos mensais que a companhia já registra em sua plataforma de comércio eletrônico.

A incorporação reforça o modelo de superapp perseguido pelo grupo nos últimos anos, no qual diferentes verticais foram acopladas ao ecossistema da varejista após aquisições de marcas como Netshoes, KaBuM!, Época Cosméticos e Estante Virtual.

O Magalu Delivery é o resultado da sinergia e do aprendizado operacional dentro do nosso ecossistema. O novo serviço une a inteligência logística e o histórico de consumo dos usuários do aiqfome à escalabilidade e base de milhões de clientes do Magalu.

Na largada, o atendimento cobre municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Nessas praças, a operação herdada do aiqfome soma quase 30 mil estabelecimentos parceiros e mantém histórico de presença concentrado em cerca de 500 cidades cujo contingente populacional varia de 80 mil a 120 mil habitantes.

Expansão para grandes centros e alianças regionais

O avanço em direção a cidades de maior porte seguirá um planejamento diferente do modelo que estruturou o aiqfome no interior. Em vez de introduzir uma ferramenta com apelo regional, a empresa aposta na força e no reconhecimento nacional da marca Magalu para disputar a preferência de consumidores acostumados a plataformas consolidadas.

O plano prevê a realização de testes em um município com cerca de 300 mil habitantes ainda neste ano. O mercado de Campinas também figura entre os alvos em análise pela direção da empresa para etapas futuras, embora ainda não haja um cronograma público definido para essa praça.

Para cobrir localidades onde não possuía presença prévia, a plataforma costurou uma parceria comercial e tecnológica com oito aplicativos locais independentes. A integração técnica dos sistemas permitirá que o Magalu Delivery comercialize produtos de estabelecimentos dessas plataformas parceiras, estendendo a cobertura para um contingente de cerca de 1,2 mil novos municípios.

Concorrência acirrada e disputas regulatórias

A entrada do Magalu no segmento ocorre em meio a investimentos de grande porte e disputas jurídicas intensas entre os principais participantes do setor no Brasil. O iFood anunciou planos de destinar R$ 17 bilhões para sustentar sua expansão no país, enquanto a 99Food elevou seus aportes para a faixa de R$ 1 bilhão.

Outro concorrente relevante no tabuleiro é a Keeta, controlada pela companhia chinesa Meituan. A empresa desembarcou no mercado brasileiro em outubro de 2025 com uma proposta de investimento de R$ 5,6 bilhões e a meta de atingir mil cidades até o final do ano corrente. A Keeta, no entanto, suspendeu temporariamente a estreia no Rio de Janeiro sob a alegação de entraves provocados por contratos de exclusividade firmados por iFood e 99Food.

O clima de atrito gerou manifestações no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O próprio aiqfome formalizou uma denúncia no órgão antitruste questionando a conduta concorrencial do iFood no interior do país. Ao mesmo tempo, o iFood solicitou que o Cade apure suposta prática de preços predatórios por parte de Keeta e 99Food, além de processos judiciais em andamento com acusações mútuas envolvendo suspeitas de espionagem corporativa.

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