Liderança corporativa trava avanço da inteligência artificial, aponta CEO da Acaso
No Exponential Summit 2026, Ricardo Rocha afirmou que a resistência cultural e a ineficiência na gestão de talentos superam os desafios tecnológicos da automação.

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A lentidão na transformação digital das empresas está concentrada na postura dos executivos, e não nas limitações técnicas das ferramentas de automação. A avaliação foi apresentada por Ricardo Rocha, fundador e presidente da Acaso, durante o Exponential Summit 2026, encontro voltado a debater tendências com lideranças corporativas.
Fundada em 2020, a Acaso desenvolve inteligência artificial aplicada à gestão de talentos para mapear competências e alocar profissionais de forma eficiente. Rocha, reconhecido como MIT Innovator Under 35, pontuou que o maior foco de ineficiência nas empresas não está nos custos ou nos fluxos de trabalho, mas na incapacidade de identificar e desenvolver as habilidades dos funcionários.
Quantas vezes um talento extraordinário é considerado inadequado simplesmente porque não corresponde às exigências de um cargo ou aos padrões de comportamento esperados pela organização? E quanto tempo profissionais altamente qualificados ainda desperdiçam executando atividades repetitivas que poderiam ser automatizadas?
Obstáculos internos e mudança de comando
Ao relatar a rotina de sua própria startup, o executivo afirmou ter enfrentado barreiras de adesão, ceticismo e receio por parte do time interno ao tentar implantar inteligência artificial. Inicialmente, a gestão tentou impor o uso dos sistemas por meio de cobrança direta sobre a equipe, método que não gerou os resultados esperados.
Diante do impasse, Rocha passou a testar pessoalmente as soluções para automatizar tarefas cotidianas. A constatação de que tarefas complexas podiam ser executadas individualmente exigiu uma definição de rota: cortar postos de trabalho ou capacitar os colaboradores para utilizarem as novas ferramentas como apoio.
A inteligência artificial deveria ampliar o potencial das pessoas, não apenas substituí-las.
Cultura versus imposição tecnológica
A estratégia da empresa passou a priorizar a experimentação contínua e o treinamento de equipes para disseminar práticas de automação, transformando a implementação técnica em um processo cultural. Para o executivo, a compra de softwares não sustenta a modernização sem abertura para revisão de métodos e aceitação de erros nas tentativas de inovação.
A cobrança por inovação em ambientes que penalizam falhas e priorizam o cumprimento estrito de rotinas em detrimento de resultados limita a capacidade produtiva das equipes. Rocha concluiu que a responsabilidade final recai sobre a gestão, que precisa criar condições para a atuação conjunta das competências humanas com os recursos tecnológicos.
Ao longo da minha trajetória executiva, aprendi que liderar não significa ter todas as respostas, mas criar condições para que pessoas com conhecimentos e competências diferentes construam resultados que ninguém alcançaria sozinho. E a inteligência artificial não elimina essa responsabilidade. Ao contrário, torna-a ainda maior.