Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Inteligência Artificial

IA chega a 92% do mercado de capitais brasileiro, mas retorno segue sem medição

Levantamento da Anbima mostra que 43% das instituições avaliam a tecnologia de forma informal e apenas 13% alcançaram patamares avançados de maturidade.

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Redação 21 de outubro de 2026, 08h063 min de leitura
IA chega a 92% do mercado de capitais brasileiro, mas retorno segue sem medição

Imagem ilustrativa

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) revelou que 92% das instituições financeiras no país já utilizam ferramentas de inteligência artificial. O dado faz parte da primeira edição do estudo Retrato da IA no Mercado de Capitais, que aponta um descompasso entre a velocidade de adoção da tecnologia e a capacidade das organizações de medir o retorno financeiro gerado por essas iniciativas.

Apesar do uso abrangente e de 63% das empresas projetarem um aumento da relevância da ferramenta nos próximos 12 meses, a infraestrutura gerencial ainda caminha devagar. O índice de maturidade estruturado pela Anbima em parceria com a MatchIT registrou média de 2,7 pontos em uma escala que vai até 5. Esse patamar indica um estágio de estabilização, no qual os testes iniciais foram superados, mas faltam processos estabelecidos para garantir consistência operacional.

Adoção sem métricas e a pressão dos investidores

A ausência de indicadores precisos é frequente entre os agentes do setor. O estudo apontou que 43% das instituições avaliam os impactos da tecnologia de forma subjetiva ou informal, sem manter registros estruturados. Outros 15% responderam que simplesmente não realizam nenhum tipo de medição ou acompanhamento sobre o que a ferramenta produz.

O cenário de métricas vagas ocorre em um momento de cobrança mais intensa por parte de investidores e conselhos de administração. Conforme apontado em levantamento da Spencer Stuart, a supervisão de inteligência artificial passou a figurar entre as três principais prioridades dos comitês de governança das grandes companhias norte-americanas em 2026, com o foco em tecnologia saltando de 75% para 92% em um ano. Ao mesmo tempo, dados da Clearwater Analytics indicam que 91% das gestoras sentem um avanço na exigência dos investidores em relação ao emprego dessa inovação.

A dificuldade de comprovar o retorno financeiro também atinge players regionais de grande porte. Segundo o benchmark Evident AI Index, voltado aos 20 maiores bancos da América Latina, embora 70% deles relatem casos de aplicação da ferramenta com resultados, nenhum apresenta o retorno financeiro consolidado de IA em nível corporativo.

Dificuldades na base de dados e salto de maturidade

O levantamento da Anbima mostra que apenas 13% das instituições brasileiras se enquadram nos estágios mais desenvolvidos de maturidade digital. Essa limitação se reflete na entrega final ao mercado: 73% das empresas veem na IA a oportunidade de conceber produtos, serviços ou novos modelos de negócio, porém apenas 17% afirmam que efetivamente concretizaram esse objetivo.

A estruturação dos dados internos desponta como o principal obstáculo para a evolução desses programas. De acordo com o relatório da Clearwater Analytics, 99% dos executivos encaram informações não confiáveis como o maior entrave para validar os resultados entregues pela inteligência artificial. Entre as companhias com os melhores ganhos de produtividade técnica, 86% classificam seus próprios dados como bons ou excelentes, proporção que diminui quase à metade nas empresas com menor rendimento.

A importância da governança se amplia diante de estudos internacionais de consultorias como a Deloitte, que correlacionam cada avanço de dez pontos em seu índice de controle a um acréscimo de aproximadamente dez pontos percentuais na expansão de faturamento. Para o mercado brasileiro, o avanço da tecnologia exige agora menos foco em experimentação isolada e maior precisão em controles, governança e qualidade de dados.

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