Humand expande equipe no Brasil para 40 pessoas e cria time local de produto
Após captar US$ 66 milhões, HRTech foca em grandes empresas e na adaptação regulatória de sua plataforma de RH com inteligência artificial.

Imagem: Divulgação/Humand
A Humand está ampliando sua estrutura operacional no Brasil e planeja elevar o quadro local de 25 para 40 profissionais até o fim de 2026. A HRTech, dona de uma plataforma focada em gestão de pessoas e comunicação interna, montou uma equipe dedicada às demandas do país para acelerar a adequação técnica do software às exigências legais e particularidades das empresas que operam no mercado nacional.
O movimento é sustentado pela captação de US$ 66 milhões em rodada Série A anunciada em fevereiro de 2026, coliderada pelos fundos Kaszek e Goodwater Capital. Avaliada em cerca de US$ 225 milhões, a companhia tem o Brasil como seu segundo maior mercado e direciona recursos também para frentes no México e na Argentina, mantendo a expectativa de avançar a um ritmo de crescimento próximo de duas vezes ao ano.
De acordo com Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil e na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África), o país passa a ter um modelo operacional inédito na organização corporativa da HRTech, uma vez que a empresa ainda não possui estruturas semelhantes em outras geografias.
Pela primeira vez, vamos ter um time de gestão de produto exclusivo para o país, que entregará as atualizações ao mercado brasileiro em uma escala muito mais rápida do que tivemos até agora, afirma Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil e na região EMEA.
Foco em grandes contas e exigências da NR-01
Em solo brasileiro, o sistema da HRTech já é utilizado por mais de 100 mil colaboradores. No recorte global, a carteira atende mais de 2 mil empresas distribuídas por 50 países. Tanto a operação no Brasil quanto a divisão em EMEA partiram do zero e superaram a marca de 100 clientes corporativos cada em seus primeiros 15 meses de atuação, no intervalo entre janeiro de 2025 e março de 2026.
A estratégia comercial, de marketing e de parcerias da startup prioriza organizações com mais de 5 mil funcionários, embora continue atendendo negócios de diferentes portes. As negociações com grandes grupos foram impulsionadas pelas atualizações da norma regulamentadora NR-01, que passou a exigir formalmente o gerenciamento de riscos psicossociais na saúde ocupacional.
Segundo a direção da empresa, os clientes locais se dividem em dois perfis perante a regra: aqueles que encaram a norma como uma lista objetiva de conformidade para implantação rápida e companhias que usam a diretriz para revisar práticas amplas de gestão de pessoas, demandando processos de venda mais consultivos e aprofundados.
Recursos de inteligência artificial na operação
A expansão no país acompanha a estratégia de incorporar ferramentas de inteligência artificial a mais de 30 módulos do sistema, alcançando desde equipes corporativas de escritório até equipes operacionais de linha de frente. A proposta visa encurtar os ciclos de implementação do software entre os clientes corporativos.
Na comunicação interna, o sistema adapta um mesmo conteúdo para diferentes públicos, transformando transmissões ao vivo em resumos práticos para trabalhadores de campo ou formatos estratégicos para executivos. Para o atendimento geral, a empresa integrou agentes virtuais batizados de Sammy, Tali e Oli, focados em suporte interno, recrutamento e retenção de colaboradores.
Pelos cálculos da companhia, essas aplicações de IA geram uma economia média de três horas de trabalho semanais por colaborador e podem reduzir custos de tecnologia da informação em até 25%. Conforme pontua o CFO Félix Beccar, o plano financeiro privilegia o aumento da base de usuários ativos e a centralização da IA em poucos pontos de contato, sem dispersar o foco em múltiplas ferramentas paralelas.