Felipe Miranda monta a wealthtech Dylan com aporte inicial de R$ 2,5 milhões
Nova plataforma usará inteligência artificial para prestar consultoria financeira a investidores com patrimônio a partir de R$ 100 mil.

Imagem ilustrativa
Felipe Miranda está montando a Dylan, wealthtech focada em consultoria financeira orientada por inteligência artificial para investidores com tíquete mínimo de R$ 100 mil. A estruturação do negócio ocorre meses após a saída do executivo da Empiricus, com a proposta de levar a assessoria patrimonial a uma base maior de pessoas físicas.
Na Empiricus a gente tornou os relatórios de research acessíveis a um público amplo de investidores. Agora quero fazer a mesma coisa com a consultoria financeira.
Estrutura societária e captação inicial
A empresa nasce a partir de um acordo de R$ 2,5 milhões fechado pelos investidores Gustavo Andrade Rocha e Carlos Queiroz pela aquisição de 15% de participação. Os 85% restantes do capital pertencem a Miranda, aos ex-profissionais da Empiricus Bruno Mérola e Larissa Quaresma, e a Lucas Neri, amigo de infância do fundador que atuou como especialista de portfólio no Itaú e em diretorias financeiras.
O aporte inicial é suficiente para manter a operação por um período de um ano, segundo Miranda. O cronograma prevê que o produto mínimo viável (MVP) fique pronto em até seis meses. Concluída essa fase inicial de desenvolvimento, o plano dos sócios prevê a captação de recursos adicionais junto a fundos de venture capital.
Modelo operacional e desenvolvimento tecnológico
A Dylan, cujo nome homenageia o músico Bob Dylan, pretende oferecer consultoria financeira em escala por meio de uma arquitetura híbrida. O modelo combina dados determinísticos de mercado, inseridos diretamente por Miranda e pela equipe de analistas, com diagnósticos e análises gerados por inteligência artificial. A plataforma terá a função de mapear a condição financeira e os objetivos do investidor, sugerir alocações de portfólio, acompanhar os ativos e promover mudanças quando julgar necessário.
O desenvolvimento tecnológico está a cargo do time estruturado por Carlos Queiroz, executivo que liderou a implantação de plataformas baseadas em IA no DBS e no Standard Chartered, em Singapura. Hoje managing director do OCBC, Queiroz participa da Dylan como consultor. A precificação do serviço ainda não foi fixada de forma definitiva, mas deve ficar por volta de R$ 200 mensais, valor equivalente a 2,4% ao ano para investidores com patrimônio de R$ 100 mil.
Mas é uma despesa que se paga à medida que o patrimônio cresce e o serviço gera valor. Além disso, os custos da AI estão caindo, então é possível que esse valor também seja menor quando lançarmos.
Disputa no segmento de consultoria automatizada
A montagem da Dylan coincide com movimentos de instituições financeiras tradicionais e novas entrantes em direção ao mesmo filão de mercado. Nomes como BTG Pactual e Nubank desenvolvem internamente soluções de assessoria baseadas em inteligência artificial para atender investidores sem o patrimônio multimilionário demandado pelos serviços private bancários. No mesmo segmento, a Decade, criada pelo ex-CTO do Nubank Vitor Olivier, captou US$ 85 milhões em rodada seed para estruturar plataforma voltada a planejamento financeiro e consultoria automatizada.