Eleições.dev estrutura dados do TSE para consultas via API e inteligência artificial
Criada pelo engenheiro Pedro Stanzani, plataforma gratuita reúne dados eleitorais de 2006 a 2026 e supera 50 mil requisições automatizadas.

Imagem: Divulgação/Eleições.dev
A plataforma Eleições.dev começou a operar reunindo dados públicos da Justiça Eleitoral brasileira em um formato preparado para consultas via API e agentes de inteligência artificial. Criado pelo engenheiro de software Pedro Stanzani, o projeto foi lançado em agosto de 2026 e concentra históricos de candidaturas, resultados de pleitos e declarações patrimoniais registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desde a estreia, o serviço já contabiliza mais de 50 mil requisições automatizadas, atendendo principalmente pesquisadores, jornalistas e programadores.
Estrutura técnica e integração com IA
O banco de dados compila informações oficiais arquivadas entre as eleições de 2006 e 2026. A arquitetura utiliza o protocolo MCP (Model Context Protocol), padrão que possibilita a agentes de inteligência artificial interpretar perguntas em linguagem natural e cruzar informações sobre a evolução patrimonial dos políticos ao longo de duas décadas, dispensando conhecimentos avançados de programação por parte do usuário final.
De acordo com o idealizador da ferramenta, a dispersão dos arquivos oficiais costuma dificultar a análise rápida, motivo pelo qual a padronização em interface de programação foi adotada como solução central.
Queria criar uma forma mais fácil de acessar e visualizar esses dados. Se os dados estiverem organizados e acessíveis por API, jornalistas, pesquisadores e outros desenvolvedores podem construir em cima deles.
A plataforma foi desenhada para viabilizar projetos derivados, incluindo painéis regionais, comparadores de planos políticos e sistemas automatizados voltados à checagem de fatos.
Dados brutos sem auditoria subjetiva
Operando sem fins lucrativos e com processamento automatizado, a ferramenta não emite pareceres, auditorias ou interpretações editoriais sobre o conteúdo registrado. As fontes utilizadas são extraídas diretamente do Portal de Dados Abertos e da página de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais mantidas pelo tribunal.
O site mostra o que foi declarado, não faz acusação nem interpretação. Num ambiente de muita desinformação, acho que o papel da tecnologia é esse: facilitar o acesso à fonte original, e não criar mais uma versão da história. Tecnologia pode tornar a política mais transparente sem precisar de nenhuma informação nova, só deixando mais fácil acessar o que já existe.
Stanzani tem 23 anos, é estudante do último semestre de Engenharia da Computação no Insper e atua profissionalmente como engenheiro de software na startup Tako. A primeira versão do Eleições.dev foi desenvolvida de maneira independente em um intervalo de 24 horas, e a sustentação do tráfego segue operando na infraestrutura criada originalmente.