DeepSeek vai liderar rodada na Winverse AI avaliada em US$ 400 milhões
Desenvolvedora chinesa mira robótica e negocia aporte de dezenas de milhões de dólares em startup de IA fundada por ex-cientista da Tencent.

Imagem: Divulgação/DeepSeek
A DeepSeek acertou a liderança de uma rodada de investimentos de dezenas de milhões de dólares na Winverse AI, startup criada em 2026 por um ex-pesquisador da Tencent voltada à aplicação de inteligência artificial em robôs. A transação projeta a avaliação da novata em cerca de US$ 400 milhões após o aporte.
A rodada em estruturação também prevê a entrada da Long-Z Investments, braço de capital de risco da Meituan, controladora da Keeta. Como o contrato definitivo não foi assinado, os valores finais de participação e o valuation estabelecido ainda podem passar por ajustes.
Megacaptação financia expansão além do software
Os recursos para o investimento na Winverse AI têm origem em uma captação própria da DeepSeek. A companhia negocia uma rodada de ao menos 80 bilhões de iuanes, o equivalente a cerca de US$ 12 bilhões, encabeçada conjuntamente pela Tencent e pela produtora de baterias CATL.
Originalmente desenhada para cobrir os custos operacionais de data centers e o treinamento de modelos de linguagem, a injeção bilionária de capital também abrirá margem para que a DeepSeek patrocine e atue em regime de codesenvolvimento com novas empresas de tecnologia.
O direcionamento para a Winverse AI reforça passos anteriores da DeepSeek no setor de automação física. A organização já detém uma fatia de 2% na Unitree Robotics, fabricante chinesa de robôs humanoides que realizou sua oferta pública inicial em Xangai em agosto, com quem mantém parceria em modelos de inteligência incorporada.
Disputa pelo cérebro dos robôs humanoides
A incursão da DeepSeek reflete uma mudança de foco na cadeia de robótica. Enquanto a indústria chinesa consolidou forte presença na montagem estrutural e mecânica de humanoides — com a Unitree Robotics avaliada em US$ 900 milhões no mercado acionário —, o gargalo técnico migrou para o desenvolvimento de sistemas operacionais capazes de compreender comandos de voz e desempenhar tarefas complexas no mundo real.
A iniciativa visa posicionar a companhia frente à concorrência global pelo desenvolvimento de inteligência para robôs de propósito geral, segmento com forte atração de capital nos Estados Unidos:
- Skild AI, avaliada em US$ 14 bilhões com foco em cérebros robóticos;
- Physical Intelligence, avaliada em US$ 5,6 bilhões e financiada por companhias como Nvidia e Alphabet.
Ao avançar nas tratativas com a Winverse AI, a concorrente da OpenAI e da Anthropic busca transpor a atuação focada em telas e conversação para a execução de tarefas físicas no setor de hardware autônomo.