Com 58% dos gastos online no Brasil, retail techs miram infraestrutura e confiança
Estudo da consultoria VML aponta o país como o segundo mais digitalizado do varejo global, abrindo espaço para startups focadas em dados, estoques e IA.

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Os consumidores no Brasil realizam 58% dos seus gastos no ambiente online, patamar que coloca o país como o segundo mercado mais digitalizado do mundo no setor varejista. O índice brasileiro fica atrás apenas da China, com 59%, e supera a média global de 51%, de acordo com dados do estudo The Future Shopper, produzido pela consultoria VML com 28 mil participantes de 17 países.
O levantamento mostra que o varejo atingiu um estágio de maturidade no qual 51% das despesas mundiais ocorrem na internet, contra 49% nas lojas físicas. Diante dessa consolidação, a tese de investimento para startups e retail techs deixa de focar na simples abertura de canais digitais ou aplicativos isolados e passa a exigir ferramentas voltadas à eficiência logística, precisão operacional e integração de dados de ponta a ponta.
Pressão por integração física e prazos logísticos
A pesquisa aponta que 93% dos compradores consideram o preço decisivo, enquanto 92% colocam a disponibilidade do produto no mesmo nível de relevância. Com isso, soluções voltadas a inteligência de precificação dinâmica, previsão de demanda e gestão unificada de estoques tornam-se componentes centrais para reduzir a perda de vendas tanto no canal digital quanto nas unidades presenciais.
Mesmo com o avanço do comércio eletrônico, 57% dos entrevistados continuam priorizando marcas que mantêm lojas físicas integradas ao digital. No entanto, 26% do tempo passado dentro de um ponto físico já é guiado pelo chamado modo missão: entrar, encontrar o item desejado, pagar e sair. Essa dinâmica abre espaço para plataformas de checkout móvel, localização indoor e retirada agilizada de mercadorias.
No setor logístico, a tolerância à espera também diminuiu. Mundialmente, 37% dos consumidores exigem entregas em menos de duas horas, patamar que era de 32% no levantamento anterior. No segmento de supermercados, essa expectativa de velocidade alcança 56% dos clientes.
Uso do smartphone e entraves nas redes sociais
Os smartphones lideram as transações digitais, concentrando 40% das compras na internet, à frente de laptops (15%), televisores (11%) e computadores de mesa (10%). Apesar do domínio do mobile, 55% dos clientes afirmam que varejistas precisam melhorar a usabilidade móvel. Ao mesmo tempo, 50% dos usuários já desinstalaram aplicativos de lojas devido ao excesso de notificações recebidas.
O levantamento apurou que 60% dos entrevistados já fizeram transações pelo comércio social, e o TikTok desponta como a plataforma preferida para 25% do público geral e 40% da Geração Z. Contudo, as redes sociais respondem por apenas 2,78% das compras consolidadas na jornada de consumo, com 29% das pessoas apontando a desconfiança como o maior obstáculo para fechar negócio nesses ambientes.
Adoção restrita e limites da inteligência artificial
Ferramentas de inteligência artificial são utilizadas por 82% das pessoas globalmente, mas a participação em transações comerciais ainda é incipiente. No mercado brasileiro, a IA está presente em 4,94% das jornadas voltadas à inspiração e em 4,08% das buscas de produtos, recuando para 2,78% no instante da efetivação da compra.
A delegação de processos à tecnologia mostra avanços graduais: 52% aceitariam que algoritmos montassem o carrinho de compras e 45% usariam a tecnologia para rastrear as melhores ofertas. Em contrapartida, 33% dos entrevistados recusam delegar decisões de compra à IA em qualquer segmento de produto, e 58% conferem as sugestões automáticas em fontes externas antes de pagar. Além disso, quase metade dos consumidores afirma perder a confiança na marca ao se deparar com imagens de produtos geradas por inteligência artificial.