Cognition abre escritório em SP após captar US$ 2 bi e mira grandes contas
Dona do agente Devin já atende Nubank, Itaú e Santander no país; operação local terá engenheiros dedicados a clientes corporativos.

Foto: ICPCNews / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A norte-americana Cognition abriu em São Paulo o seu primeiro escritório físico na América Latina para acelerar a expansão de sua ferramenta de inteligência artificial voltada à engenharia de software. A inauguração ocorre após a companhia levantar US$ 2 bilhões em uma rodada Série E liderada pelos fundos Andreessen Horowitz e Accel, com participação de Founders Fund, General Catalyst e Avenir.
Mesmo antes de estabelecer um ponto local, a criadora do Devin acumulou mais de dez clientes corporativos no mercado brasileiro. A carteira atual reúne instituições financeiras e grandes companhias como Nubank, Itaú, B3, Santander, Mercado Livre, Natura e iFood. A relação com o país começou no fim de 2023, quando a Cognition ainda operava como laboratório de pesquisa e o CTO do Nubank procurou o CEO da startup via mensagem direta na rede X, tornando o banco digital o primeiro cliente corporativo da história da empresa.
Engenheiros dedicados dentro dos clientes
A decisão de estruturar uma base em São Paulo respondeu à necessidade de suporte contínuo para contratos relevantes. Anteriormente, a startup mantinha técnicos vindos dos Estados Unidos em regime de ponte aérea, passando quatro dias no Brasil e dois em casa semanalmente, para prestar consultoria presencial em bancos como Itaú e Santander, que representam suas maiores contas no país.
A operação brasileira será dividida em duas frentes de atuação: diretores de contas com formação técnica e profissionais dedicados à implementação direta nos contratantes, chamados de forward deployed engineers. Quatro desses engenheiros de campo já trabalham em território nacional. A meta da companhia é chegar a cerca de dez funcionários no escritório paulista até o término do ano, contratando à medida que novos acordos forem assinados, espelhando a proporção entre técnicos e contas mantida nos Estados Unidos.
Segundo Guilherme Grupenmacher, head de Estratégia e Operações da Cognition para a América Latina, a companhia percebeu que seus principais casos de sucesso envolveram a alocação pesada de recursos no local onde o cliente opera, o que fundamentou o investimento na estrutura paulista.
Para ter o impacto que a gente quer ter, a gente precisa de uma presença local, não só comercial, mas principalmente um hub de engenharia, para estar literalmente ao lado dos nossos clientes, diz Guilherme Grupenmacher, head de Estratégia e Operações da Cognition para a América Latina.
Foco em grandes corporações e expansão regional
A estratégia de mercado da Cognition se concentra em organizações de grande porte, partindo da premissa de que a maior parte das linhas de código em produção no planeta não reside em startups, mas sim em conglomerados financeiros tradicionais, indústrias e órgãos públicos. O plano prevê expandir a presença consolidada no sistema financeiro e avançar nos segmentos de varejo, manufatura e, futuramente, governo.
Além do espaço físico em território paulista, a empresa mantém vagas abertas para vendas no México e aloca profissionais de engenharia em Buenos Aires e no Chile. O apetite por inovação e a resposta rápida das equipes de tecnologia locais funcionaram como chamariz: no Itaú, a adoção interna do software gerou o apelido 'Devinho', o que levou a startup a contratar assessoria jurídica para registrar a marca formalmente.
O aporte de US$ 2 bilhões oferece suporte para a Cognition sustentar investimentos mais agressivos frente ao avanço de multinacionais interessadas no potencial brasileiro, como a Replit, além de fornecedores de modelos fundacionais como OpenAI e Anthropic. A diferenciação sustentada pela empresa é a concentração total em engenharia de software aplicada exclusivamente a grandes corporações.