BioLinker levanta R$ 8,4 milhões para laboratório e modelos de IA na Amazônia
Aporte financiado pela Axcell e FAPESP apoia automação de pesquisa biológica em Manaus e duplica equipe da startup

Imagem: Divulgação/BioLinker
A BioLinker, empresa brasileira de biotecnologia fundada em 2018 por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), levantou R$ 8,4 milhões em uma nova rodada de investimento. A maior fatia, correspondente a R$ 7,2 milhões, foi aportada pelo fundo da aceleradora Axcell, com recursos corporativos da Zona Franca de Manaus por meio do Programa Prioritário da Bioeconomia. O restante veio do programa PIPE Fase 2, mantido pela FAPESP.
Os recursos têm como destino principal a montagem de um laboratório automatizado no Centro de Bionegócios da Amazônia, em Manaus. A estrutura será voltada à produção de dados em larga escala via triagem de alto rendimento (high throughput screening), gerando insumos para o treinamento de modelos de inteligência artificial, além de viabilizar a fabricação de grandes blocos de DNA no território nacional.
A empresa, que já comercializa proteínas recombinantes e gera receita própria, cedeu 13% de participação societária nessa fase da rodada. A negociação prevê ainda a entrada de um investidor internacional com aporte complementar. O objetivo dessa expansão é encurtar o ciclo de design, construção e teste na divisão de IA, pavimentando o caminho para uma rodada Série A internacional prevista para ocorrer em até dois anos.
Estrutura automatizada e síntese de DNA
O laboratório na capital amazonense funcionará em um espaço reformado que receberá robôs importados para as operações analíticas. O método busca suprir a carência de dados estruturados para a IA e criar autonomia no fornecimento de blocos genéticos, insumo que atualmente não possui fornecedores fabris em escala comercial no Brasil.
A obtenção de dados na velocidade de que precisamos para treinar modelos exigiria muito mais capital, e a rodada foi consolidada pensando justamente nisso.
A estratégia da BioLinker envolve o mapeamento da biodiversidade brasileira, com foco em genomas de bactérias e fagos (vírus que atuam sobre bactérias e não infectam humanos). As sequências genéticas serão sintetizadas para viabilizar a criação de novas proteínas. Paralelamente, o projeto adota medidas para a proteção dos dados biológicos, respondendo às preocupações de biossegurança ligadas à geração de moléculas por algoritmos.
Desafios do capital para deep techs
O fechamento do aporte com o fundo da Axcell ocorreu após a fundadora avaliar que o ecossistema brasileiro de capital de risco ainda é restrito para deep techs. No diagnóstico da cientista, os fundos locais concentram-se fortemente no estágio pré-semente e faltam opções para rodadas intermediárias, enquanto fundos corporativos com frequência aplicam critérios de avaliação desenhados exclusivamente para negócios de software.
Muitos CVCs colocam gestores acostumados a selecionar empresas de software, que pedem indicadores sem nenhuma relação com os de uma deep tech. Acaba atrapalhando em vez de ajudar.
A empresa, que recebeu aporte do Google no início de 2025 por valor não divulgado, calculou a captação para sustentar até três anos de atividade. Nos próximos meses, a BioLinker projeta duplicar a sua equipe operacional, saltando dos atuais 12 para 24 colaboradores.