Beltic capta US$ 7,3 milhões para validar identidade de agentes de IA
Aporte liderado pela Norwest financia tecnologia para autenticar e auditar compras feitas por robôs em nome de pessoas e empresas.

Imagem: Divulgação/Beltic
A Beltic captou US$ 7,3 milhões em uma rodada seed para colocar de pé uma infraestrutura global de identidade e mitigação de riscos voltada para a economia agêntica. O investimento foi liderado pelo fundo norte-americano Norwest Venture Partners, gestor com US$ 1 bilhão em ativos sob custódia, e teve a participação da Restive Ventures e do Oxford Seed Fund, veículo vinculado à Universidade de Oxford.
A captação acontece cerca de um ano após a startup levantar US$ 1,5 milhão em uma rodada pre-seed, liderada pela Collide Capital e acompanhada pelos fundos brasileiros Latitud e Positive Ventures, além de investidores-anjo. Sediada no Vale do Silício, a companhia foi fundada pelo empreendedor brasileiro Mike Allan, originário de Timbó (SC) e fundador da fintech Atar (vendida para a Porto há cinco anos), em parceria com a norte-americana Isha Bhatnagar, ex-executiva da Coinbase com seis anos de atuação em verificação de clientes.
Autenticação em três camadas para modelos de IA
O objetivo da Beltic é cobrir uma lacuna técnica dos mecanismos tradicionais de prevenção a fraudes e autenticação bancária, desenhados para monitorar sinais do comportamento humano, como dispositivo conectado, localização e a velocidade dos cliques. Os agentes de inteligência artificial operam sob lógicas técnicas que fogem a esses padrões convencionais de análise de risco.
A solução desenvolvida pela startup divide a análise dessas transações em três camadas fundamentais. A primeira camada foca na identificação do usuário por trás do agente, o que pode ocorrer via e-mail do titular ou por métodos mais detalhados, como biometria facial e foto de documento oficial em transações financeiras de valor elevado. A segunda camada monitora o protocolo do agente para assegurar que ele mantém a autorização de representar o humano.
A terceira etapa é voltada para a execução do pedido, checando se a compra não sofreu distorções causadas por alucinações da máquina. Operações como contratação de seguros, aquisição de passagens aéreas ou compra de produtos físicos envolvem especificações que nem sempre são detalhadas pelo usuário, o que pode levar o agente a executar parâmetros indesejados.
O que fazemos é analisar essas transações feitas por AI em três camadas: identificamos quem está por trás do agente que está fazendo a transação; verificamos se o agente realmente tem autorização para fazer aquela ação; e garantimos que o que foi executado corresponde ao que o usuário realmente pediu.
Arquitetura multi-protocolo e cenário regulatório
A infraestrutura voltada a transações com agentes de IA começou a se estruturar nos últimos doze meses de forma fragmentada. Grandes bandeiras de pagamento e empresas de tecnologia, como Visa, Mastercard, American Express e Google, vêm desenvolvendo padrões próprios para viabilizar as interações entre sistemas de varejo e os modelos de automação.
Para evitar que varejistas e instituições bancárias precisem construir integrações individuais com cada protocolo existente, a Beltic desenvolveu um produto multi-protocolo, que se encontra em estágio de testes com clientes. Caso identifique irregularidades ou desalinhamento entre o pedido do usuário e a ação em curso, a ferramenta gera um sinal de risco ou bloqueia a transação.
A proposta do negócio não prevê a substituição imediata das compras humanas por robôs, mas sim a delegação massiva de tarefas transacionais mecânicas ou complexas. A perspectiva da Beltic é que a contratação de apólices, buscas de provedores e fluxos automatizados com alto nível de risco passem a ser intermediados por agentes, exigindo camadas externas para impedir erros de execução.