Após barrar venda para Meta, Manus negocia captação de US$ 500 milhões
Startup chinesa de inteligência artificial busca avaliação de US$ 4 bilhões em rodada independente e avalia listar ações em Hong Kong.

Foto: Anthony Quintano from Westminster, United States / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A startup chinesa de inteligência artificial Manus negocia uma captação de US$ 500 milhões com avaliação de mercado estipulada em US$ 4 bilhões. A movimentação ocorre após a companhia retomar as operações de maneira independente, decorrência do cancelamento de sua venda para a Meta no início deste ano.
A rodada em discussão atrai fundos como IDG Capital e Boyu Capital, além da fabricante de baterias Contemporary Amperex Technology. Investidores que já integravam o quadro societário da empresa, como Tencent, HSG e ZhenFund, também avaliam participar do aporte. Em paralelo às negociações financeiras, a Manus projeta uma reestruturação societária voltada à preparação de uma oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa de Hong Kong.
O bloqueio de Pequim e a cisão com a Meta
A trajetória recente da companhia foi marcada por entraves geopolíticos. Depois de ganhar repercussão com demonstrações públicas de seus agentes autônomos no ano passado, a Manus transferiu sua equipe para Singapura em meados de 2025. Em dezembro daquele mesmo ano, acertou um acordo de aquisição com a Meta avaliado em US$ 2 bilhões, período em que registrava receita recorrente anual superior a US$ 100 milhões.
A operação, contudo, enfrentou resistência direta das autoridades regulatórias em Pequim. Diante de preocupações com a perda de profissionais e pesquisadores locais de tecnologia para o mercado ocidental, o governo chinês vetou a fusão formalmente, sustentando que a transação violava diretrizes de controle de exportação e regras para investimentos estrangeiros.
Recompra societária e retomada autônoma
Para formalizar a separação em relação ao conglomerado norte-americano, os primeiros apoiadores e investidores da startup estruturaram a recompra das fatias societárias pelo mesmo patamar do negócio cancelado, de cerca de US$ 2 bilhões. O processo de desvinculação demandou adequações técnicas: em agosto, a plataforma informou seus usuários sobre a necessidade de baixar e salvar dados próprios, pois as informações geradas após o anúncio da venda para a Meta precisaram ser apagadas para atender exigências de conformidade legal de diferentes jurisdições.
Com o processo de cisão finalizado este mês, o time de fundadores reassumiu a gestão integral do negócio. A Manus desenvolve ferramentas focadas em agentes inteligentes e interfaces de código, competindo com serviços de empresas como OpenAI, Lovable e Replit. As ferramentas do portfólio incluem chatbots e sistemas automatizados voltados à construção de softwares, sites, materiais de design, apresentações e vídeos.