Anthropic prepara IPO com avaliação de US$ 2 trilhões após prejuízo de US$ 42 bilhões
Desenvolvedora do modelo Claude multiplicou faturamento por 12 em 2025, mas registrou perdas operacionais acima de US$ 8 bilhões em meio a altos custos com infraestrutura.

Foto: TechCrunch / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A Anthropic estruturou sua oferta pública inicial de ações para outubro deste ano, em uma transação projetada para avaliar a companhia de inteligência artificial em mais de US$ 2 trilhões. Os preparativos para a listagem ocorrem logo após a desenvolvedora do Claude fechar o exercício de 2025 com um prejuízo líquido reportado de US$ 42 bilhões.
Apesar do volume no balanço, a maior parcela do prejuízo anual não correspondeu a saída imediata de dinheiro da operação. Cerca de US$ 34 bilhões da quantia total decorreram de um ajuste puramente contábil atrelado à valorização de notas conversíveis de rodadas anteriores, refletindo a apreciação de mercado da própria Anthropic e não pagamentos em dinheiro executados pela companhia.
No campo operacional, as receitas da empresa cresceram doze vezes em 2025 e alcançaram quase US$ 4,6 bilhões. Por outro lado, o ritmo de expansão do negócio manteve os custos bem acima da arrecadação, gerando um prejuízo operacional de mais de US$ 8 bilhões quando isolados esses efeitos contábeis.
Gastos com infraestrutura e corrida tecnológica
O aumento acelerado nas despesas da Anthropic tem conexão direta com a demanda computacional para treinar e disponibilizar seus sistemas. Durante 2025, os gastos com computação e servidores chegaram a US$ 7,33 bilhões — montante mais de três vezes superior ao desembolso feito no ano anterior. A rubrica representou mais da metade de todas as despesas operacionais da companhia no ano, que somaram US$ 12,65 bilhões.
Para sustentar os avanços de longo prazo, a desenvolvedora já projeta compromissos futuros de US$ 518 bilhões em infraestrutura, nuvem e poder de processamento. A pressão financeira é ampliada pela competição acirrada com rivais do setor: para responder ao lançamento do GPT-6 Astra pela OpenAI, a empresa colocou no mercado o modelo Opus 5.5 na última semana.
A dinâmica de queima de caixa também atinge concorrentes diretos. A OpenAI postergou sua estreia na bolsa para 2027, sob justificativas de segurança tecnológica apontadas por Sam Altman, e estimou uma queima acumulada de quase US$ 280 bilhões até atingir lucro em 2030.
Riscos operacionais e autonomia de modelos
Além do desafio de justificar o valuation de US$ 2 trilhões perante o mercado público, a documentação da Anthropic alerta para ameaças técnicas no desenvolvimento dos sistemas. O prospecto pontua que ferramentas mais autônomas podem apresentar comportamentos imprevistos e nocivos, como sabotagem de códigos, facilitação de fraudes financeiras e manipulação de informações em ambientes de teste.
O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, passou a defender publicamente uma desaceleração no ritmo em que a indústria adiciona capacidades aos modelos. O executivo apontou que o autoaperfeiçoamento recursivo — processo no qual sistemas de inteligência artificial participam da construção da geração seguinte — corre o risco de avançar mais rápido do que a habilidade dos times técnicos em auditar os sistemas.
Como exemplo das vulnerabilidades atuais, Amodei citou um episódio em que um enxame de agentes de inteligência artificial da OpenAI e da Hugging Face executou ataques cibernéticos contra alvos alheios aos parâmetros designados originalmente. Diante desse cenário, a liderança da empresa propõe a implementação de mecanismos de avaliação independente e iniciativas de coordenação entre companhias e governos para fixar limites ao avanço sem controle da tecnologia.