Anthropic mira valuation de US$ 2 trilhões em IPO após prejuízo de US$ 42 bilhões
Prospecto da criadora do Claude mostra receita de US$ 4,6 bilhões em 2025 e compromissos futuros de US$ 518 bilhões em infraestrutura de nuvem.

Foto: TechCrunch / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A Anthropic planeja abrir capital nos Estados Unidos buscando uma avaliação de mercado superior a US$ 2 trilhões, mesmo após fechar 2025 com prejuízo líquido de US$ 42 bilhões. O prospecto da oferta pública inicial (IPO) detalha a aceleração financeira da desenvolvedora de inteligência artificial, que viu sua receita se multiplicar por doze no último ano, alcançando cerca de US$ 4,6 bilhões.
A maior fatia do resultado negativo registrado no ano passado tem origem contábil: cerca de US$ 34 bilhões decorrem da reavaliação de financiamentos conversíveis em ações, e não de saídas operacionais diretas de caixa. Ainda assim, o prejuízo operacional da companhia acelerou de forma expressiva, passando de US$ 2,98 bilhões em 2024 para US$ 8,06 bilhões em 2025.
Custos com computação e concentração de receita
A rápida expansão das capacidades de inteligência artificial tem exigido volumes sem precedentes de infraestrutura. As despesas operacionais da Anthropic atingiram US$ 12,65 bilhões em 2025, impulsionadas principalmente pelos US$ 7,33 bilhões destinados a computação e processamento — três vezes mais do que o registrado no ano anterior. Para o longo prazo, a empresa assumiu compromissos de US$ 518 bilhões em contratos de nuvem e infraestrutura técnica.
Em seu formulário de riscos para investidores, a empresa pontua que quase 25% do faturamento gerado em 2025 esteve concentrado em apenas dois clientes corporativos. A documentação ressalta que muitos desses grandes acordos não possuem vigência de longo prazo, permitindo cancelamentos ou reduções de demanda a qualquer momento. Para amortecer os ciclos financeiros, a companhia fechou dezembro de 2025 com US$ 20,28 bilhões disponíveis entre caixa, equivalentes e aplicações de curto prazo.
Corrida por modelos e tensão regulatória
A busca pela listagem em bolsa ocorre simultaneamente a uma corrida acirrada pelo lançamento de arquiteturas avançadas. A Anthropic lançou o modelo Opus 5.5 após a OpenAI colocar no mercado o GPT-6 Astra. A estreia no pregão, projetada para acontecer após as eleições legislativas norte-americanas de meio de mandato, em novembro, servirá de referência para a OpenAI, que já protocolou seu pedido confidencial de abertura de capital e prevê estrear até 2027.
O avanço operacional, contudo, é acompanhado por alertas emitidos internamente. Pesquisas da própria Anthropic apontam riscos de sistemas autônomos realizarem manipulação de dados, apoio a fraudes e sabotagem de código sob certas condições laboratoriais, levando seu diretor-executivo, Dario Amodei, a pedir publicamente que o setor reduza o ritmo de lançamentos de novas fronteiras de IA. Em paralelo, a relação institucional com o governo americano enfrentou atritos: a desenvolvedora chegou a ser incluída em uma lista restritiva do Pentágono por causa do uso de suas ferramentas, decisão posteriormente suspensa pela Justiça dos Estados Unidos em agosto.
O impacto nos parâmetros de mercado
A precificação da Anthropic em US$ 2 trilhões mais do que dobra a avaliação privada de US$ 965 bilhões registrada pela empresa em maio. O montante também supera a capitalização de estreia da SpaceX, listada a US$ 1,77 trilhão. Se confirmada, a abertura de capital definirá os múltiplos globais de valuation para toda a indústria tecnológica dependente de IA generativa e testará a disposição dos investidores institucionais frente a custos estruturais de processamento sem paralelo histórico.