Terça-feira, 20 de outubro de 2026
Investimentos

Alice capta US$ 40 milhões em Série D liderada pelo IFC para acelerar IA

Healthtech soma mais de 100 mil membros, fatura R$ 1,2 bilhão em receita recorrente e quer operar como empresa de inteligência artificial.

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Redação 20 de outubro de 2026, 12h053 min de leitura
Alice capta US$ 40 milhões em Série D liderada pelo IFC para acelerar IA

Imagem ilustrativa

A Alice captou uma Série D de US$ 40 milhões em rodada liderada pelo IFC, braço de investimentos do Banco Mundial, para financiar a transição de seu modelo operacional para uma empresa de inteligência artificial aplicada à saúde. A captação contou com a entrada do DEG, da Alemanha, e do FinnFund, da Finlândia, além do acompanhamento dos fundos Kaszek, ThornTree Capital e Canary.

Com o aporte, a companhia busca reposicionar sua atuação institucional para além da gestão tradicional de planos de saúde. A estratégia mira o desenvolvimento de ferramentas nativas de IA que atuam diretamente no suporte a médicos, corretores e pacientes, reduzindo despesas administrativas e tempos de atendimento.

Fizemos um esforço intencional e organizado para que a Alice se tornasse essa empresa

Eficiência operacional e automação interna

Desde o início de 2026, 100% do código dos sistemas da healthtech é produzido por agentes autônomos de IA orquestrados pelos engenheiros de software da equipe. Segundo a empresa, a metodologia duplicou a produtividade técnica no período e não gerou incidentes decorrentes das linhas de código automatizadas.

Os fluxos de trabalho externos e operacionais também foram integrados a sistemas inteligentes. Médicos utilizam um copiloto clínico que estrutura rascunhos de prontuários com base nas consultas, poupando metade do tempo gasto com registros manuais. No canal comercial, os corretores operam um sistema capaz de ler documentos em formatos diversos e diminuir o tempo médio de precificação em até 90%.

As medidas de automação geraram um recuo de 18% nos custos operacionais ligados ao atendimento e encurtaram o tempo de espera em 12,5%. A companhia projeta alcançar um custo administrativo em torno de 2,0% de sua receita, patamar distante da média do setor de saúde suplementar, que varia historicamente entre 7,5% e 12%.

Lançamento do Alice AI e expansão da base

Parte dos recursos da Série D apoiará a liberação geral do Alice AI, assistente integrado ao aplicativo da operadora. O sistema processa históricos médicos e prontuários para direcionar os usuários a telemedicina, especialistas ou hospitais credenciados, operando sob protocolos clínicos próprios, conformidade com a LGPD e supervisão médica semanal, sem emitir diagnósticos autônomos.

Os modelos de IA estão disponíveis para qualquer empresa. O que não está disponível é o contexto. A Alice é, ao mesmo tempo, o plano, o prontuário e a equipe de cuidado de cada membro.

A mudança de posicionamento ocorre após a companhia atingir mais de 100 mil membros ativos e superar a marca de R$ 1,2 bilhão em receita recorrente, mantendo um ritmo de expansão de cerca de 70% em termos anuais. Em dezembro de 2021, quando levantou US$ 127 milhões em Série C liderada pelo SoftBank, a base contava com 6 mil usuários.

No ano passado, a operadora havia concluído uma extensão da Série C no valor de US$ 22 milhões com Kaszek, Globo Ventures e Canary. Com a nova transação, a Canary realizou seu quarto aporte na healthtech, elevando sua participação acionária ao adquirir as ações detidas pelo SoftBank, que deixou o conselho da empresa.

Nosso quarto investimento reforça a confiança em uma empresa que reúne um time excepcional em um mercado imenso, a combinação rara que dá origem a empresas geracionais, que podem valer dezenas de bilhões

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