a16z levanta US$ 1,1 bilhão para hardware com o Machine Age Fund
Fundo marca o movimento do Vale do Silício para além do software puro, de olho em máquinas e infraestrutura física.

Foto: JD Lasica / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A gestora Andreessen Horowitz (a16z) levantou US$ 1,1 bilhão para o Machine Age Fund, novo veículo dedicado a financiar iniciativas de hardware, infraestrutura para data centers e robótica. O anúncio marca uma ampliação de foco da firma de venture capital, que direciona capital para a sustentação física dos modelos de inteligência artificial.
A captação foi apresentada pelos sócios Ben Horowitz, Martin Casado, Raghu Raghuram, David Ulevitch e David George. O diagnóstico da gestora é que a inteligência artificial concluiu uma primeira etapa de maturidade focada em tarefas intelectuais, como ferramentas de conversação, programação e raciocínio, e agora precisa de suporte material para operar no mundo real.
O escopo de alocação do Machine Age Fund cobre toda a cadeia física necessária para os sistemas modernos de computação. Os aportes serão distribuídos entre desenvolvedores de chips, tecnologias de memória, equipamentos de conectividade de rede, soluções de armazenamento e dispositivos conectados de uso doméstico.
Gargalos técnicos e escalada no consumo elétrico
A justificativa central para a tese é o esgotamento dos padrões tradicionais da ciência da computação e das cadeias de suprimentos. Segundo a firma, o avanço dos modelos computacionais passou a depender de fatores industriais primários, como disponibilidade de terrenos, insumos elétricos, sistemas de refrigeração e acesso a redes de transmissão de alta capacidade.
A pressão sobre a infraestrutura é evidenciada pela densidade dos servidores. Entre a geração de processadores Nvidia H100 e a arquitetura Rubin, o volume de processamento instalado por rack aumentou 28 vezes. Essa evolução sobrecarregou as interconexões internas dos equipamentos, que atingiram o limite físico de condutividade suportado por fiações tradicionais de cobre.
A demanda energética também segue trajetória exponencial. Racks de computação que operavam entre 5 kW e 10 kW passaram a registrar consumo de 100 kW a 250 kW nas implementações atuais, com estimativa de alcançar 1 MW por rack em um período de três anos. Em escala agregada, os data centers estão deixando as faixas históricas de dezenas de megawatts para estruturas de centenas de megawatts, com projetos que já alcançam escala de gigawatts.
Transição de portfólio para a infraestrutura física
Conhecida pela tese histórica de prevalência do software nos mercados globais, a a16z aponta que os negócios ligados ao setor de base física ganharam tração recente dentro do seu próprio processo de triagem. Atualmente, companhias dedicadas a hardware correspondem a mais de 20% do fluxo de oportunidades observado pela equipe da gestora.
O portfólio recente apoiado pelo fundo inclui empresas como Unconventional AI, Nexthop, Volta, Atoms, Heron Power e Mind Robotics. Em rodadas anteriores, a firma já havia alocado recursos em companhias de base física como SpaceX, Waymo, Anduril e Skydio.
Estamos animados para tornar hardware uma frente oficial da a16z e anunciar o Machine Age Fund para apoiar essa iniciativa. A máquina de go-to-market (GTM), talentos e marketing que construímos na a16z agora está pronta para atender fundadores de hardware. E a rede da a16z tem acesso excepcional a clientes, fornecedores e todos os demais atores relevantes para uma nova era de reinvenção do hardware
Com os novos recursos, a gestora passa a estruturar sua rede de contatos corporativos e apoio de contratação para responder às especificidades das linhas de montagem, em um contexto em que a computação de ponta depende diretamente da solução de restrições elétricas e mecânicas.